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08-05-2001
O fim do sonho virtual
O tema
deste artigo foi pensado há, aproximadamente, um ano e eventualmente
discutido pelo autor em algumas oportunidades. Antes da queda da
Nasdaq e do abalo decorrente nas bolsas de todo o mundo, o assunto
parecia
exotérico ou, no mínimo, fora do contexto. Uma editora
de publicação especializada chegou a achar impensável,
em discussão com o autor, a
possibilidade de haver alteração no cenário,
que ainda se delineava, de crescimento continuado dos negócios
via Internet.
As
expectativas eram elevadas em relação ao potencial
da Internet para o comércio eletrônico e as siglas
pipocavam como vírus em determinado sistema operacional:
B2B, B2C etc. Os portais, que apareciam da noite para
o dia, eram vendidos a peso de ouro. Pouco importava o conteúdo;
a regra era comprar aquele que fosse mais assediado pelos internautas.
As cifras eram sempre milionárias e a moeda de compra, o
dólar americano.
Poucos
se deram conta de que a visita a um determinado sítio não
significava a aquisição de um serviço ou bem.
As páginas eram visitadas, na maioria das vezes, por simples
curiosidade. A nova economia, na verdade, nunca existiu. A economia
simplesmente havia aparecido com nova roupagem, nova velocidade,
nova linguagem. Mas os fundamentos eram os mesmos.
Raros
negócios, a não ser a venda de portais logo no início
da onda, deram lucro na Internet. Os prejuízos avolumam e
a maioria das empresas
virtuais já fechou. Os financistas, no começo tão
solícitos para emprestar dinheiro aos empreendedores virtuais,
agora cobram a conta. Os acionistas já voltaram aos velhos
negócios - ou passaram a investir em imóveis e ouro.
No
entanto, a Internet continua a crescer - o que parece um paradoxo.
No entanto, a explicação é simples. Em todo
o mundo, a rede é bancada pelo governo e o acesso gratuíto
continua a sensibilizar novos internautas todo dia. Mas novos usuários
não representam, necessariamente, novos consumidores. O
internauta típico vê os portais e páginas da
Rede como uma revista. Ele folheia, às vezes lê, manda
cartas para a redação - mas não compra por
impulso, como faria em uma loja real.
Apesar
da propaganda constante na televisão, rádio e imprensa
escrita, os negócios virtuais não prosperaram. Claro,
se a Rede fosse um
excelente meio de marketing a propaganda seria feita ali mesmo -
e não na TV. Os principais provedores que operam no País,
incluindo a AOLA, IG, Terra e Uol, estão tendo prejuízos
de centenas de milhões de dólares. Para ficar em um
exemplo, a Uol, maior provedor do Brasil, com 1 milhão de
assinantes, teve uma receita líquida de R$ 220 milhões
no ano passado e amargou um prejuízo de R$ 112 milhões.
As
empresas virtuais, como a Amazon, estão repensando os objetivos.
Os provedores tentam definir melhor o foco e horizonte do negócio.
O internauta não é tão fácil de pegar
como pensavam as empresas, nem tão consumista. Mas as empresas
virtuais não têm muito tempo disponível. O fim,
como diria o apocalíptico da esquina, está próximo.
Realmente, a economia do futuro não é mais como costumava
ser.
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Marcelo
Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de
Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.
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