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10-07-2001
A moda do i-mode
Uma
pergunta que os profissionais de marketing devem se fazer constantemente
é: Por que alguns serviços de telecomunicações
atingem o gosto popular imediatamente, enquanto outros, mesmo com
aplicações similares, amargam o limbo das tecnologias
que não pegaram?
O serviço baseado no Wireless Applications Protocol (WAP)
chegou com ares, e propaganda, de que tomaria o mercado de comunicações
móveis, recebeu grandes investimentos das operadoras - e
acabou com um volume de vendas mínimo.
Por outro lado,
o serviço i-mode, lançado apenas em 1999 pela NTT
DoCoMo, no Japão, já conta com mais de 20 milhões
de usuários e não
pára de crescer a cada dia. Nos últimos dois anos,
o serviço passou do tradicional e-mail, para homepages coloridas,
uso de Java, intranets, jogos, agentes, funções de
segurança até música e vídeo, com o
IMT-2000.
Ao
contrário do WAP, que modifica o tráfego de HTTP (protocolo
de transmissão de páginas na Internet), o i-mode é
transparente à transmissão de páginas HTML
(linguagem de hipertexto usada na Internet), apesar de usar um subconjunto
dessa linguagem. Os níveis de HTTP e HTTPS (nível
de segurança de transmissão) estão mantidos,
enquanto o TCP/IP (protocolos de controle e transmissão na
rede) são processados em um gateway para o modo pacote no
enlace de rádio.
As
páginas podem ter até 5 kbytes de conteúdo,
embora se recomende 2 kbytes, com gifs (arquivos de figuras usadas
nas páginas) de 94 por 72 pixels (pontos). As mensagens podem
ter até 500 bytes. O nível de enlace, Link Access
Procedure for Digital Mobile (LAPD-M), utiliza a repetição
automática de dados (ARQ) para garantir uma taxa de erros
menor que um erro
em um milhão de bits transmitidos. Já existem mais
de 40 mil sítios ligados ao i-mode, dos quais 1500 são
oficiais.
Entretanto,
o que possivelmente motivou mais os usuários pode ter sido
a forma de tarifação, baseada em volume de dados transmitidos
e não em tempo de uso do telefone celular, formato usado
no WAP. Isso permitiu o oferecimento
do serviço a um custo mais baixo. A NTT DoCoMo cobra uma
assinatura mensal de R$ 2,50 e aproximadamente R$ 0,10 pela transmissão
de um arquivo com 250 caracteres. A reserva de passagens aéreas,
por exemplo, sai por menos de R$ 0,20.
Os
sítios de lazer são os serviços mais populares.
Mas suspeita-se que o verdadeiro motivo da aceitação
do i-mode tenha sido a nova geração de usuários
de celulares, as crianças, que descobriram a possibilidade
de brincar de jogos de vídeo no telefone com os colegas.
O que, uma pesquisa de marketing ainda vai dizer, continua sendo
a razão principal da existência do sistema operacional
Windows.
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Marcelo
Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de
Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.
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