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13-02-2001
O poeta e o drama da telefonia
Em 28
de novembro de 1956, o decreto número 40.439 concedia
nacionalização à Sociedade Anônima Brazilian
Telephone Company, sob a
denominação de Campanhia Telefônica Brasileira,
assinado pelo Presidente Juscelino Kubstchek. A empresa, apesar
de nacionalizada, continuou sob o controle acionário da canadense
Brazilian Traction and Light Power, que fornecia um serviço
telefônico sofrível.
Carlos Drummond de Andrade, funcionário público no
Rio de Janeiro e um dos maiores poetas do País, não
estava alheio ao que se passava no
cenário de telecomunicações. Baseando-se na
experiência do carioca com a CTB, escreveu uma crônica
em que narrava o desespero de um pretenso assinante do serviço
telefônico cuja opção de "compra"
da linha já estava na família há três
gerações - havendo sido lhe entregue pelo pai, no
leito de morte. Após muito lutar com a CTB, o assinante acaba
falecendo na fila de espera.
Para tentar remediar
o caos telefônico existente, em 1966 o governo brasileiro
negociou a compra da Campanhia Telefônica Brasileira (CTB)
e suas
empresas associadas, Campanhia Telefônica de Minas Gerais
(CTMG) e Campanhia Telefônica do Espírito Santo (CTES),
responsáveis por 62% dos telefones no País cobrindo
45% da população brasileira. Essas companhias foram
adquiridas
por US$ 96,315,787.00, com prazo de 20 anos para pagamento.
Após
a compra, a CTB e subsidiárias foram reformuladas, com novos
estatutos e administração. As tarifas sofreram ajustes,
de acordo com o custo dos serviços prestados. A CTB começou
um programa de modernização e expansão, com
a instalação de 522.528 linhas telefônicas.
As
reclamações eram constantes, mas a CTB alegava que
estava fazendo o possível com o equipamento antigo e inadequado,
que foi herdado com a nacionalização da subsidiária
canadense. Mesmo a mais leve chuva era bastante para inundar os
cabos subterrâneos e colocar o sistema fora do ar por vários
dias.
Para
complicar, a CTB teve que honrar promessas de instalação
de serviço telefônico por parte da multinacional que,
como na ficção de Drummond,
já remontavam a 20 anos. A CTB, seguindo as diretrizes do
Ministério das Comunicações, começou
a expansão do sistema com a emissão de ações
que eram compulsoriamente vendidas aos assinantes por aproximadamente
600 dólares.
Entretanto,
a ação do mercado paralelo de telefones já
se fazia sentir naquela época, quando se podia "comprar"
um serviço telefônico por módicos 1000 dólares.
Essa modalidade de financiamento do serviço por parte do
consumidor foi inaugurada na realidade pela Light na década
de 50, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, onde
ela era concessionária dos serviços de telefonia e
energia elétrica.
O
plano de expansão do governo começou a dar resultado
e em janeiro de 1968 o País já dispunha de 1.472.677
telefones, havendo um incremento de 66,3% em relação
ao ano de 1958. Isso dava uma relação de 1,7 telefones
por 100
habitantes.
Em
maio de 1972, o Ministério das Comunicações
resolveu designar uma operadora telefônica por Estado, as
empresas Pólos, que absorveriam as empresas existentes. A
CTB foi desmembrada em duas empresas: a Telecomunicações
de São Paulo S.A. (Telesp) e a operadora do Rio de Janeiro,
que manteve o nome CTB até 1976, quando passou a ser chamada
Telecomunicações do Rio de Janeiro S.A. (Telerj).
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Marcelo
Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de
Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.
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