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13-03-2001
Transmissão via Satélite


Houve um tempo em que a moda era transmissão via satélite. A Embratel,
detentora do monopólio, utilizava a técnica praticamente como uma marca agregada a sua. O Brasil foi o quarto signatário do Consórcio Internacional de
Comunicações por Satélite (Intelsat), em 1965, e chegou a montar quatro estações terrenas internacionais, controladas pela Embratel.

Como o Brasil dispunha de 4% do consórcio, Portugal, que não tinha demanda suficiente para justificar entrada como consorciado do serviço, ficou como uma espécie de sub-locatário da capacidade de transmissão via satélite
brasileira.

O lançamento dos satélites Brasilsat 1 e 2 foi importante do ponto de vista estratégico, para a ocupação da fatia que cabe ao País no espaço
exterior, tendo em vista o interesse da Argentina e outros países em tomarem conta dessa órbita geo-estacionária, bem como para permitir a ocupação virtual da Amazônia, outro fator importante na geo-política do continente. A utilização de satélites nacionais incrementou sobremaneira a transmissão de imagens e
dados.

No entanto, a opção satélite era contingencial. O custo de lançamento sempre foi bastante elevado, chegando a US$ 300,000,000.00, no lançamento do Brasilsat 1, para uma vida útil de apenas oito a dez anos. Além do custo e
risco do lançamento, os satélites apresentam um atraso de percurso, por conta do tempo que o sinal leva para subir ao transponder e descer à estação terrena, de aproximadamente 300 milisegundos. A inserção de equipamentos para compensar o eco produzido acaba suprimindo parte do sinal de voz e perturbando a
conversação.

Como se não bastasse, ainda existiam os esquemas para conseguir os contratos. A Vicom, empresa das Organizações Globo, firmou um contrato com a Spar, uma firma canadense que foi sócia da Hughes no lançamento do Brasilsat 1
e, posteriormente, sua concorrente, para ganhar a concorrência do Brasilsat 3. A comissão técnica conjunta da Embratel e Telebrás que analisou as propostas recomendou a compra do satélite da Hughes, que custava 80 milhões de dólares a menos que o da Spar, mas o ministro recusou-se a homologar o parecer e engavetou o processo.

No ano de 1989, a Embratel ainda apostava no satélite. Afinal a década de 80 estava fechando com os satélites Brasilsat lançados ao espaço, em órbita geoestacionária, a 40.000 km de altitude. O País não podia correr o risco de
perder essas posições orbitais para outro país da América do Sul. A Amazônia precisava ser melhor atendida em termos de televisão e telefonia e os antigos sistemas de tropodifusão já estavam com a capacidade esgotada.

Hoje em dia, há pouco investimento nesse segmento. Além da manutenção da série Brasilsat, pela Embratel, e dos investimentos em satélites de órbita baixa para aplicações meteorológicas, apenas a Telemar tem programado investimento em um futuro próximo. É possível que a televisão por assinatura,
que se adapta bem ao modelo de transmissão ponto-multiponto dos satélites, consiga revigorar esse setor das comunicações.

* Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.

 

Coluna atualizada às terças