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20-03-2001
Exportação de produtos de Telecomunicações

Houve uma época em que exportar era o que importava, no Brasil. Os
sucessivos governos militares perceberam que uma maneira de gerar
superávits comerciais era substituir importações - produzindo internamente o que fosse necessário para o País. Um dos setores mais afetados por essa política foi o de telecomunicações.

O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD) foi criado, na década de 70, com a incumbência de desenvolver os produtos necessários para garantir a autosuficiência nacional em telecomunicações. Quase conseguiu o objetivo, com o apoio de universidades, empresas Pólos e da Embratel. Entretanto, o nefasto governo Collor desmontou grande parte do CPqD e abriu as portas à privatização do setor.

Após uma década de turbulências, passando pela venda das empresas no primeiro governo Cardoso, os equipamentos de telecomunicações já são parcela significativa das exportações nacionais. Para um montante exportado de
US$ 4,3 bilhões em equipamentos eletrônicos, no ano de 2000, nada menos que US$ 1 bilhão foram de equipamentos de telecomunicações.

Os aparelhos celulares estão com a liderança dos produtos exportados, com US$ 672 milhões e um incremento de 317% em relação ao ano de 1999. As estações radiobase ocupam a segunda colocação, com US$ 157 milhões, junto com
os componentes para telecomunicações, com US$ 150 milhões.

Considerando o faturamento total do setor eletro-eletrônico, chega-se ao número já impressionante de quase R$ 50 bilhões, com um crescimento de 21% sobre o apurado em 1999. Deste total, os produtos de informática foram
recordistas, contribuindo com pouco mais de RS$ 12 bilhões, em 2000, seguidos pelos de telecomunicações, com R$ 10 bilhões.

O faturamento no setor de telecomunicações cresceu 38% em um ano. Entretanto, o setor continua deficitário na balança comercial, com mais de US$ 1,4 bilhões em importações em 2000. Esse cenário não promete melhorar
em 2001, por conta da desaceleração da economia americana. Diversas empresas
têm promovido demissões em massa no exterior, com reflexos também no País. A expectativa mundial de vendas de celulares sofreu uma queda de 10% em 2000, para um montante estimado em 350 milhões de aparelhos.

Não fossem esses percalços, o setor poderia tornar-se superavitário até o final de 2001 - mantido o ritmo atual de exportações. As empresas instaladas no País, a partir dos estímulos da privatização, estariam finalmente
cumprindo os objetivos de substituição de importações sonhados pelos estrategistas do regime militar, pela via natural do mercado.

* Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.

 

Coluna atualizada às terças