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21-08-2001
Comutação no Ministério das Comunicações

Há termos que, com o passar do tempo, ganham conotações distintas daquelas originais. Em telecomunicações, a palavra comutar tem, hoje, um significado preciso, associado à operação da central telefônica. Entretanto, o verbo comutar (do latim comutare), também tem a acepção de permutar e era usado, no passado, para indicar a viagem entre duas cidades. Ainda existe essa
forma de utilização em inglês, por exemplo.

A própria palavra comunicação (do latim communicare) podia significar ir de um ponto a outro, além da acepção usual de transmissão de informação. Dessa forma, não era estranho, no começo do século 20, que o Ministério de Viação e Obras cuidasse da área de transmissão de informações, como telégrafia, telefonia e correio.

Isso tem mudado pouco, ao longo dos anos. Em 1913, o serviço nacional, ou Administração Geral dos Telégrafos, por exemplo, pertencia ao Ministério das Comunicações e Obras Públicas e controlava mais de 32.000 Km de linhas e
aproximadamente 700 servidores. Nessa época, os telégrafos da rede ferroviária contavam com 20.000 Km de linhas e 1.500 escritórios em todo o País.

Nem todos os escritórios da rede ferroviária, entretanto, trabalhavam em consonância com a Administração Geral. Havia uma tarifa fixa, de 600 reis, para a emissão de telegramas além de uma taxa adicional que variava de acordo
com o Estado. Um telegrama para a França, Alemanha ou Holanda custava 3,63 francos. Um franco equivalia a 600 reis.

A instituição do Código de Comunicações, em 1932, foi feita por José Américo de Almeida, então ministro de Viações e Obras. Esse Ministério ficou por muito tempo responsável pelo setor de comunicações. O Código elaborado
por José Américo, um marco para a época, não foi posto em prática após a sua saída e caducou.

Somente na década de 60, por sugestão do Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel), foi criado um Ministério das Comunicações. O referido Ministério acabou incorporando os Correios e Telegráfos, a Embratel, as Operadoras de Telefonia, o Dentel, a Telebrás e a Rádio Nacional. Permaneceu
assim por quase três décadas, até que a Lei Geral das Telecomunicações, e as
privatizações, retirassem seus poderes.

Para assegurar novamente o status do Ministério da Comunicações, o atual titular pretende exercer ao máximo um outro significado da palavra comutar, ou seja, trocar. Ou talvez a acepção de comunhão, que a palavra
comunicação também traduz. Sem dúvida, para a população em geral, o significado de atenuação da pena não fosse o mais bem aplicado para comutação, nesse caso. Quem sabe o verbo substituir seria a melhor forma de traduzir comutar aqui?

* Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.

Coluna atualizada às terças