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21-11-2000
Estatísticas do setor de telecomunicações

Parte do interesse que as empresas estrangeiras nutrem pelo Brasil se deve às estatísticas do setor de telecomunicações. Sem dúvida, os números que importam, aqueles que refletem lucros reais ou presumidos, estão em alta.

A telefonia fixa, em 1995, contava com 14,3 milhões de acessos. O Governo previa a evolução para 24,7 milhões em 1999. Hoje o número de acessos fixos, que cresce a uma taxa de 17% ao ano, já está em 33 milhões e pode chegar a 35 milhões até o fim do ano.

A telefonia móvel contava com 1,9 milhão de acessos em 1995, com uma previsão de crescimento para 9,6 milhões em 1999. A planta celular, incluindo as duas bandas, deve fechar o ano com 21,5 milhões de acessos móveis. Isso demonstra um crescimento de 23% ao ano. Os telefones pré-pagos, que fizeram a alegria das classes C e D na última década, chegando a igualar o número de pós-pagos, devem diminuir sensivelmente a partir de agora. As operadoras perderam o interesse nesse tipo de serviço em função de sua baixa rentabilidade.

A contratação de pessoal para o setor de comunicações cresceu, entre 1998 e 1999, a uma taxa de 72%, totalizando 270 mil empregados até o momento. No entanto, esse número também revela, em parte, a realidade das aposentadorias precoces e dos planos de demissão voluntária que precederam a privatização das estatais. Porque as estatísticas de 1997 indicavam a existência de 330 mil empregados nas empresas de telecomunicações.

A telefonia de uso público sequer atingiu a meta governamental. Havia uma expectativa de se chegar a 800 mil telefones públicos em 1999, mas, até o momento, existem instalados apenas 790 mil aparelhos. Reflexo da pequena preocupação social das empresas.

Outra decepção ficou por conta da televisão por assinatura, para a qual o governo estimava um total de 7 milhões em 1999. A última estatística mostra apenas 2,9 milhões e esse número inclui televisão a cabo, DTH (transmissão via satélite) e MMDS (transmissão em terra).

A telefonia virtual, que dispunha de 400 mil caixas e passaria a ter 6 milhões em 1999, não evoluiu no período. A rede digital de serviços integrados, que seria estava praticamente pronta antes da privatização, não decolou. Os usuários de comunicações de dados que evoluiriam, segundo os planos do Ministério das Comunicações, de 1,5 milhão para 6,5 milhões em 1999, não aderiram por conta dos preços elevados de instalação e manutenção do serviço.

O que não foi, até o presente, atendido pelas empresas o governo pretende corrigir com o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações. O Fundo, alimentado por um imposto de 0,5% sobre o faturamento das empresas de telecomunicações, pode arrecadar entre R$ 500 e R$ 700 milhões por ano.

Com esses recursos, o governo pretende colocar telefones nas cidades do interior que não interessam, por conta da baixa lucratividade, às empresas de telefonia. Pretende também conectar as escolas públicas à Internet e realizar outros investimentos de cunho social e eleitoral.

*Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.

 

Coluna atualizada às terças