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22-05-2000
Os
Correios do Brasil

Quando
se fala em Comunicações, há uma tendência a esquecer os Correios.
Mas, agora que a maior empresa do País, com 87 mil empregados diretos
e milhares de empresas franquiadas, passa por um processo de modernização
sem precedentes, vale a pena contar um pouco da história desse segmento
das Comunicações.
A organização
dos serviços postais no Brasil data de 1829. Em 1843, pouco mais
de dois anos após D. Pedro II ter assumido o poder no Brasil, foi
lançado o primeiro selo postal brasileiro, o conhecido "Olho
de Boi". O Brasil era o terceiro pais do mundo a utilizar o
selo.
Em
1852 foi inaugurada a primeira linha telegráfica da América Latina,
ligando a cidade do Rio de Janeiro a Petrópolis. Até 1861 a telegrafia
foi usada exclusivamente pelo governo e se limitava às proximidades
do Rio de Janeiro e Petrópolis. Entretanto, com a emergência da
Guerra do Paraguai, esse meio de comunicação se expandiu rapidamente.
Em
1855, durante a gestão do Barão de Capanema, como Diretor Geral
dos Telégrafos, foram construídos 20.000 km de linhas telegráficas.
A primeira linha de longa distância foi ativada em 1856, ligando
o Rio de Janeiro a Porto Alegre, por meio de Curitiba.
No
final da década de 1860 havia uma linha telegráfica se estendendo
até o Sul do País. Em 1873 era inaugurada a linha telegráfica Recife-Maceió.
Em 1874 foi aberta uma linha ligando o Rio de Janeiro à Bahia. Fortaleza
foi interligada ao Rio, através da Bahia, em 1881. A telegrafia
chegaria à Amazônia em 1886.
Os
primeiros cabos submarinos foram inaugurados por D. Pedro II em
1874, conectando Rio, Salvador, Recife e Belém. A linha Recife,
João Pessoa, Natal foi estabelecida em 1875. A primeira ligação
internacional por cabo foi feita no mesmo ano, com Portugal, tendo
sido concluída por meio de contrato com a empresa British Eastern
Telegraph Company. A ligação com a Europa foi resultado do espírito
empreendedor de Irineu Evangelista de Souza, Barão e depois Visconde
de Mauá, que participou da organização e financiamento da instalação
do cabo submarino.
Ironicamente,
a inauguração do cabo praticamente coincidiu com a falência do Visconde
de Mauá em 1875. Ele havia sido por 30 anos o maior empresário e
financista do Brasil, dono de um complexo industrial na Baía da
Guanabara, que produzia desde aço até navios a vapor. Em 1851 a
industria de Mauá produzia o equivalente a 1.000 contos de reis
e empregava 1.000 trabalhadores. Observe-se que o orçamento brasileiro,
para aquele ano, não passava de 27.200 contos.
O Brasil
aderiu à Convenção Internacional de Telegrafia em 1877 e iniciou
a República como membro da União Postal Internacional e fazendo
parte de todos os acordos internacionais que regulavam a telegrafia,
os cabos submarinos e a sinalização marítima. Bons tempos aqueles!
*Marcelo
Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de
Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.
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