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23-10-2001
A telegrafia no século 19 - II parte


Em 1855, foi iniciada a construção de uma linha para Petrópolis, sendo
a estação telegráfica inaugurada em janeiro de 1857. Depois disso, tratou-se de
prolongar a rede para o norte. Após a declaração da Guerra do Paraguai, foi preciso mudar de orientação. Voltaram-se as atenções exclusivamente para o sul, tendo sido construída. em apenas seis meses, a linha de ligação do Rio de Janeiro à província do Rio Grande do Sul, passando por Santos, Paranaguá, São Francisco, Itajaí, Desterro, Laguna, Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande e outras localidades menos importantes do litoral. Devido à rapidez do trabalho, ocorreram muitos defeitos, que foram depois pouco a pouco corrigidos.

Os serviços eram iniciados em trechos diferentes, havendo, por conta disso, interrupções. Maceió e Recife já tinham comunicação telegráfica desde abril de 1873. Em 1875, chegava a linha à cidade da Paraíba do Norte (João Pessoa). Em fevereiro de 1881, inaugurou-se a comunicação geral até Fortaleza.
Em 14 de dezembro de 1884, foram abertas ao tráfego as estações de Teresina e São Luiz do Maranhão com diversas intermediárias. A 13 de outubro de 1886 foi inaugurada a estação de Belém do Pará.

Durante esse tempo também se realizaram progressos na linha do sul. Curitiba ficou ligada à rede geral em 30 de outubro de 1871, por um ramal partindo de Morretes. Em outubro de 1872 inaugurou-se a estação de Jaguarão, pela qual mais tarde se estabeleceu comunicação com as linhas uruguaias em virtude de acordo celebrado em Montevidéu a 9 de agosto de 1879 entre o
ministro brasileiro e Santiago Bottini, empresário de uma linha telegráfica na República Oriental (Uruguai) e que, por decreto n. 5.895, de 3 de abril de 1875, obtivera permissão, por 10 anos, para prolongá-la até as proximidades da linha
brasileira em Jaguarão.

A cidade de Santos foi ligada por um ramal à de São Paulo, inaugurando-se essa estação a 26 de setembro de 1873. Construiu-se a linha da
campanha, no Rio Grande do Sul, indo até Uruguaiana, cuja estação foi inaugurada em agosto de 1874. Por aí se começou a fazer a comunicação telegráfica entre o Brasil e a Argentina a 2 de Fevereiro de 1883. Construiu-se também a linha para Minas Gerais, abrindo-se, em 1884, a estação de Ouro Preto e no ano imediato a de Diamantina, com algumas intermediárias.

A extensão total das linhas do governo era de 6.942 km em 1880 e de 10.633 km em 1887. O número de estações telegráficas era de 171 em 1887, com um total de 528.000 despachos telegráficos. Entretanto a receita não cobria
a despesa e o serviço era deficitário.

As linhas que acompanhavam as linhas férreas, e que não pertenciam ao governo, compreendiam mais de 7.000 km. Adicionando-se as linhas que pertenciam ao Estado, o total chegava a 18.000 km. Nessa época, todas as províncias marítimas estavam ligadas por linhas telegráficas. Em 1889 já havia um cabo submarino ligando Belém a Montevidéu, com mais de 6.000 km, e servindo aos principais portos. Pela república argentina, as linhas telegráficas do Brasil achavam-se ligadas às do Pacífico.

* Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.

Coluna atualizada às terças