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24-10-2000
A
telegrafia sai de cena
Os sistemas
de comunicações da era moderna começaram digitais,
com a
telegrafia, tornaram-se analógicos com o telefone e fecharam
o ciclo com a transmissão de dados, mais recentemente. Por
praticamente 150 anos, a
telegrafia significou a entrega rápida de mensagens curtas
e o reduto derradeiro do código Morse.
Com
a chegada da Internet, o espaço que pertencia à telegrafia
e ao telex foi paulatinamente sendo ocupado pelo e-mail. A assinatura
eletrônica de documentos sepultou a necessidade das teleimpressoras,
que também serviam como terminal de entrada de dados (usando
fita de papel perfurada) dos primeiros microprocessadores que chegaram
ao Brasil.
Seguindo
essa tendência, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos,
que a cada dia se configura mais como empresa de logística,
corta a última parte do nome e passa a se chamar apenas Correios
do Brasil, com investimento
pesado em redes de telecomunicações e sistemas automáticos
de triagem de objetos. Um total de 86 sistemas de triagem automatizada
estão sendo instalados no País, com um investimento
de R$ 700 milhões.
Em
1999, os Correios transportaram 7,4 milhões de objetos, com
um índice de 90,6 mil objetos postais por empregado. Para
comparação, a
Alemanha tem um índice de 79,1 mil entregas por empregado,
a França tem 80 mil e, na Inglaterra, este índice
chega a 90,6 mil. No setor de transporte de pacotes, os Correios
competem diretamente com empresas do porte da UPS, Vaspex, DHL e
Fedex.
A empresa
também montou sua rede corporativa e fornece serviços
de correio eletrônico em diversas agências, graças
a um programa de
investimentos que alocou R$ 260 milhões para modernização
da planta e treinamento de pessoal em 1999, R$ 300 milhões
neste ano e R$ 1,5 bilhão para o período 2001 a 2003.
A receita da empresa chegou a 3,5 bilhões no ano passado,
que permitiu um recolhimento para o governo de R$ 316 milhões
e um lucro líquido de 263 milhões. Poucas empresas
apresentam essa saúde
financeira.
Samuel
Morse deu sua contribuição à ciência
e à história, ao elaborar um código bastante
eficiente, na época, para a conversão de letras em
sinais elétricos. Errou apenas quando previu que em poucos
anos todos os lares americanos teriam telegráfos. Teria acertado,
se houvesse previsto pontos de correios na maioria das casas.
*Marcelo
Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de
Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.
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