26-09-2000
As Sociedades Científicas de Telecomunicações


Até o começo do século, apesar de possuir uma planta telefônica e telegráfica apreciável, em termos de pesquisa em comunicações o Brasil não dispunha de um instituto ou sociedade especializada - o que só veio a acontecer
bem mais tarde -, porém já contava com alguns poucos membros em instituições no
exterior.

O Instituto de Engenheiros de Rádio (Institute of Radio Engineers, IRE) foi estabelecido em Nova Iorque, em 13 de maio de 1912, por intermédio da fusão do Wireless Institute com a Society of Wireless Telegraph Engineers. Na época
da fundação, o Instituto que deu origem mais tarde ao Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), tinha menos de 50 membros em dia com a anuidade. Hoje o IEEE é a maior sociedade científica e de engenharia do mundo,
com mais de 330.000 associados.

Por volta de 1927, o IRE registrava três membros no Brasil: Mário de Barros Barreto (F'24) era diretor do Serviço de Rádio Naval do Brasil, no Rio de Janeiro; Carlos G. Lacombe (A'25) e William G. Lush (A'20) trabalhavam na Companhia Radio Telegráphica Brasileira, também sediada no Rio de Janeiro. Toda a América do Sul tinha 12 associados ao IRE.

Em 1930, o número total de membros do IRE chegava a 5695, com 7 membros no Brasil e 25 em toda a América do Sul. São Paulo contribuia com 2 membros, o restante pertencente ao Rio de Janeiro. O presidente do IRE era o controverso Lee de Forest, inventor da válvula triodo (quer ele chamava de audion) e desafeto de Edwin H. Armstrong, inventor do transmissor de rádio FM e do amplificador regenerativo. O Comitê de Padronização do IRE havia publicado, no Livro do Ano de 1929 do Instituto, uma lista de padrões e símbolos matemáticos a serem observados na feitura de artigos para os periódicos do IRE.

A criação da Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBrT) e da Sociedade Brasileira de Micoondas (SBMO), na década de 80, deram um novo alento à divulgação da pesquisa em comunicações no País. Suas promoções, o Simpósio Brasileiro de Telecomunicações e o Simpósio Brasileiro de Microondas e Optoeletrônica, são fóruns de referência para os profissionais do setor.

A SBMO foi fundada em 1982, tendo promovido nove Simpósios Nacionais e nove Simpósios Internacionais. Conta atualmente com 300 associados e organiza uma das quatro conferências internacionais mais importantes na área. A última conferência nacional da SBMO foi realizada em João Pessoa, entre 7 e 10 de
agosto, e contou com mais de 130 artigos. A próxima conferência será a International Microwave and Optoelectronics Conference (IMOC'2001), entre os dias 6 e 10 de agosto de 2001, em Belém. A SBMO publica uma revista com distribuição eletrônica para seus associados.

A SBrT foi criada em 1983 e já conta 17 Simpósios nacionais promovidos, além de três internacionais (o International Telecommunications Symposium -
ITS). Recentemente, promoveu, em parceria com o IEEE, a Global Communications Conference (Globecom'99), uma das maiores conferências mundiais, no Rio de Janeiro.

O mais recente evento da SBrT foi realizado em Gramado, entre 3 e 6 de setembro, com mais de 140 artigos apresentados. A SBrT publica a Revista da
Sociedade Brasileira de Telecomunicações, com artigos científicos selecionados, e o SBrT Notícias, direcionado para engenheiros e profissionais do setor.

*Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.

 

 

Coluna atualizada às segundas

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