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30-01-2001
Monopólio é um jogo para poucos

Na área de telecomunicações, a formação de monopólios, ou oligopólios,
tem sido a regra e não a exceção. Ao longo dos últimos dois séculos, as
empresas têm sido repartidas pela justiça, pelos acionistas e pelos governos, mas sempre voltam a se aglutinar.

O governo brasileiro, após a reforma do sistema de telecomunicações, a partir de 1997, dividiu o antigo sistema Telebrás em diversas empresas, de telefonia fixa, celular e longa distância.

As empresas e as licenças foram vendidas, na expectativa de que houvesse competição entre elas e consequente redução nas tarifas. A Anatel, inclusive, cuidou de estabelecer normas para impedir a mudança de controle acionário a curto prazo.

Entretanto, mesmo com o arcabouço de regras que nossos burocratas tão diligentemente produzem, é difícil conter o mercado. As empresas, como sabe qualquer cidadão que um dia adquiriu um imóvel, também sabem elaborar
contratos de gaveta. As ações são negociadas até o limite permitido pela Lei, mas os contratos incluem cláusulas com opções de compra futura do remanescente patrimônio acionário.

Assim, as empresas iniciam o processo de concentração, que usualmente envolve fusões e aquisições. Recentemente, a Telesp Celular, maior operadora do País, cuja área de concessão é o Estado de São Paulo, adquiriu de fato
o controle acionário da Global Telecom, operadora da banda B no Paraná e Santa
Catarina.

A Telesp Celular, controlada pela Portugal Telecom, comprou 49% das ações ordinárias, com direito a voto, e 100% das ações preferenciais da Global Telecom, em acordos realizados com as empresas japonesas DDI e ITX Corporation e a brasileira Inepar. Claro, outro acordo entre as partes prevê uma opção de
compra do restante das ações ordinárias. Toda a operação custou R$ 1,21 bilhão à Portugal Telecom, incluindo o passivo da empresa adquirida.

A Telecom Italia, que detém o controle da Tele Nordeste Celular e da Tele Celular Sul e tem participações na Tele Centro-Sul, adquiriu no ano
passado o controle acionário da Brasil Telecom e ainda planeja novas aquisições, além da obtenção de licenças no serviço móvel pessoal (SMP).

A Bell Canada International (BCI) negocia a compra de ações da Americel, que opera a banda B nas regiões Centro-Oeste e Norte, e da Telet,
cuja licença abrange a banda B do Rio Grande do Sul. O negócio deve ser fechado com a Telesystem International Wireless (TIW) e com o banco Opportunity. O bolo não terá tempo suficiente para crescer, antes de ser
dividido.

* Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.

 

Coluna atualizada às terças