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30-10-2001
A telegrafia no século 19 - III parte
As
ligações de Goiás e Mato Grosso à rede
geral só foram realizadas
depois de proclamada a República, em 1890 e 1891, respectivamente.
Nessa época,
iniciaram-se os estudos para a ligação de Manaus a
Belém, tentativa que
fracassou, vindo esse trabalho a ser feito pela Amazon Telegraph
Company, que
obteve a necessária concessão por decreto número
2.000 de 2 de abril de 1895.
A inauguração do cabo principal entre as duas capitais
realizou-se a 16 de fevereiro de 1896. A 31 de dezembro subseqüente
inaugurou-se a estação de Belo Horizonte.
Ficaram, portanto, naquele ano providas de comunicação
telegráfica todas as capitais de Estado e muitas de suas
localidades importantes. A rede telegráfica não cessou,
porém, de crescer de ano para ano. Por toda parte se construía,
atendendo-se, porém, de preferência, às linhas
que fechavam circuitos interiores capazes de substituir a linha
tronco em caso de acidente.
Alguns Estados contribuiam diretamente, como aliás sucedeu
desde os primeiros anos, para a construção de linhas
se seus interesses.
Muitos
foram os aparelhos experimentados na Repartição. Os
primeiros eram os Morse-duplos construídos por Stohrer, de
Leipzig. Vieram depois os do sistema Breguet, de mostrador. Durante
a campanha do Paraguai empregaram-se, na linha do sul e no próprio
teatro da guerra, os aparelhos eletromagnéticos à
manivela e mostrador da Werner Siemens. Desde 1866, fizeram-se experiências
com os Morse-duplos, cuja aplicação depois se generalizou.
Do
sistema Hughes, impressor, foram recebidos exemplares em 1872. Os
d'Arlincourt e Wheatstone A. B. C. foram também ensaiados,
em 1874, bem como os automáticos de Jaite. Os Morse-Siemens,
simples e registradores à tinta com e sem relés, tiveram
larga aplicação quando se tornou preciso observar
as disposições da Convenção Internacional
de S. Petersbourgo, à qual o Brasil aderiu em 1877. Como
translatores foram adotados os aparelhos polarizados,
idênticos aos construídos por Werner-Siemens para a
linha indo-européia e que serviram de modelo à construção
do Morse brasileiro, do qual foram construídos na oficina
da Repartição 460 exemplares.
Com
os duplex, fez-se a primeira experiência em 1881. Em 1885
receberam-se os de Estienne e os automáticos de Wheatstone.
Em 1889, chegaram ainda outros, Hughes já modificados, Morse
automáticos de Meyer, Duplex de
correntes alternativas e Quadruplex de Siemens. Em 1904, experimentaram-se
ainda os de Steljes, sem resultado prático.
O
tráfego pelos aparelhos Baudot foi inaugurado em 15 de novembro
de 1897 entre as estações Central e de São
Paulo. Em dezembro de 1901,
estabeleceu-se idêntico melhoramento entre as estações
Central, Bahia e Recife, com translação em Caravelas,
na distância de 1.800 quilômetros. A 14 de julho de
1903, inauguraram-se as instalações Baudot da linha
do sul, entre as estações Central e Porto Alegre,
com translação em Curitiba, em sua variante tríplice
e com escala entre Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande, elevando-se
a 4.500 quilômetros a extensão da linha trafegada por
esse sistema.
Em
15 de agosto de 1905, ficou a estação de Fortaleza
provida também de aparelhos Baudot duplos e triplos, subindo,
assim, a 5.500 quilômetros a extensão das linhas servidas
por 14 instalações duplas, de escala e tríplices,
além de 14 jogos de reserva.
O serviço pelo sistema Hughes, iniciado em 1900, nas estações
Central, Petrópolis e Juiz de Fora, só se manteve
nas duas primeiras, e ainda assim
pouco aproveitado, devido à escassez do serviço. Posteriormente,
em abril de 1906, estabeleceu-se comunicação por esse
sistema entre a estação Central e a urbana do Largo
do Machado. O século 20 começava com o País
cortado de fios telegráficos e o futuro parecia cada dia
mais próximo.
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Marcelo
Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de
Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.
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