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Atualizada às sextas

O que vai ser? 

Douglas Coupland é um escritor canadense pouco conhecido aqui no Brasil. São deles os livros Generation X, Microserfs e o mais recente Girlfriend in a Coma. O assunto preferido de Douglas é a sociedade pós-consumo, entupida de branding e corporações disputando cada segundo da atenção da massa. Tem um capítulo do livro Generation X intitulado “Eu não sou um mercado alvo”. 

Os livros de Douglas nos remete ao filme “Clube da Luta” que estreou sexta-feira passada no Brasil. Entre outras peripécias, no filme, os dois protagonistas resolvem resistir e lutar contra a Galáxia Microsoft, o Planeta Starbucks (famosa cadeia de cafés americana) e outras grandes corporações, e começam a fazer coisas loucas como explodir obras de arte corporativa.

Clicamos agora no “Clube da Luta” e o que vemos em seguida? O triste episódio em um cinema de São Paulo nesta semana. Coincidência ou não, um estudante de medicina mata  pessoas com uma arma automática em plena seção do “Clube da Luta”. Polêmicas a parte, o que Douglas, o filme e o crime em São Paulo estão querendo dizer?

Aqui vai meu ponto de vista:

  • As nações não são mais as mesmas. O Estado nacional perde sistematicamente poder e influência na sociedade

  • Com mecanismos como lobby, influência política e econômica, as grandes corporações legislam sobre quase tudo

  • Não há como evitar a transferência do poder do Estado para as corporações

  • Em última análise, as pessoas estão dependendo cada vez mais das corporações

Será que exagero? Só para citar um exemplo : a Microsoft sozinha está criando a consciência do uso de software legal, financiando campanhas contra a pirataria e gerando autuações por todo o país. 

Com esta troca de poder, temos como cidadãos  empresários, a responsabilidade de fiscalizar o que as empresas estão fazendo em nossa comunidade. Será que aquela fábrica polui muito? Ou aquela gráfica usa papel reciclado? Os grupos econômicos tem políticas sociais, investem em educação ou saúde para a comunidade?

Olho para o Recife e vejo muito pouca iniciativa privada dando as mãos com iniciativas sociais. E aí é que está o ponto deste artigo: investir na nossa comunidade dá lucro.

Imagine o seguinte sistema: para cada criança que tirarmos da Agamenon e colocarmos na escola por 12 anos, vamos ter possivelmente uma família inteira que irá adquirir mais educação (agora por conta própria) e gerar mais famílias, numa progressão geométrica. Se fizermos isto agora com dez mil crianças, Em 24 anos, teremos duas gerações de famílias, que totalizarão algo como cento e vinte mil pessoas, que para as empresas (sejamos claros!) serão cento e vinte mil consumidores. 

Se alguém tivesse feito esta conta em 1975 no Brasil, será que o traficante que fornecia drogas para o rapaz de São Paulo teria existido?

* Jairson Vitorino, é Diretor da MUNDI Multimídia

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