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Na
capital do capital de risco
brasileiro, uma resenha do IDO
Semana
passada estive no IDO em São Paulo, segundo evento de capital
de risco do qual participo este ano. O primeiro foi aqui mesmo
em Recife, o E-Capital que aconteceu em agosto.
Descontando-se
o fato de um certo grau de amadorismo na organização do IDO,
e do local extremamente inconveniente (um auditório sem
ar-condicionado, meio anos 70, escondido no meio do Campus da
USP), gostei de ter participado, principalmente pela
quantidade de capitalistas de risco por metro quadrado.
No
primeiro dia assistimos a palestras da Intel, sobre os eu
fundo de investimentos, voltado principalmente para empresas
que já receberam seed
money, ou seja, um investimento inicial da ordem de R$ 1
milhão. O palestrante Carlos Kokron (proposals@intel.com)
disse que a Intel investe em média de R$ 3 milhões a R$ 5
milhões em um segundo round
de investimentos, para variar, o foco da Intel está em novas
tecnologias para a Internet, que se relacionem de alguma
maneira com a plataforma Intel.
Outra
pessoa interessante que falou foi Laércio Cosentino da
Microsiga Software S/A, empresa brasileira que já fatura R$
80 milhões por ano e que conseguiu um aporte de capital da
Advent International – Global Private Equity. Foi um papo
sobre a Microsiga, sua visão, seu diferencial de mercado e o
processo de abertura de capital. Um ponto que me chamou a atenção
foi a política de valorização das pessoas que trabalham da
empresa, algo ainda raro no mercado brasileiro.
Após
a palestra, Laércio me disse que a Microsiga estava criando o
primeiro portal corporativo do Brasil, o www.tbi2.com.br, cuja
idéia é tornar-se uma comunidade de executivos e emrpesas
brasileiras na Internet.
As
palestras da tarde foram interessantes, mas ainda distantes da
realidade da grande maioria das empresas de Software: IPO,
aspectos jurídicos do IPO, aspectos da Bolsa Nasdaq e por aí
vai. Se eu fosse um dos organizadores,
teria deixado este conteúdo para daqui a uns 2 anos,
quando tivermos as primeiras start-ups brasileiras na Nasdaq.
No segundo dia tive a oportunidade
de conversar (como diretor da Mundi) com a Icone Venture
Partners e a Arthur Andersen. Foi um dia proveitoso.
Destas conversas (e das que tive
antes no E-Capital) cheguei a teoria dos sabores. É uma
teoria simples que basicamente considera a existência de três
sabores básicos de investidores:
(a)
Sabor Giló: Estes emprestam R$ 1 milhão, desde que
você já seja dono de R$ 2 milhões. (Bancos tradicionais e
instituições públicas de “fomento” (Sudene, Sebrae etc)
(b)
Sabor Cenoura: Emprestam mais do que você tem, desde
que você já tenha muito (já fatura seus R$ 2 milhões por
ano). É o caso da Ícone ou da Intel.
(c)
Sabor Morango: Prove que a idéia é boa e que
principalmente você é bom, tem a visão e conhece o
mercado,que o primeiro milhão vai aterrissar em breve (este
é o caso por exemplo do GP, da Latin Invest, do Opportunities,
ou de brokers menos conhecidos no mercado).
Mesmo
em caso de não adoção desta teoria, uma dica é válida:
tanto o IDO quanto o E-Capital são eventos fundamentais para
que os empreendedores novos ou nem tanto assim comecem a
entender e conhecer este bicho novo que é o capitalista de
risco. Se você for um de nós, não perca os próximos no ano
2000. Espero que você encontre o sabor certo.
*
Jairson Vitorino, é diretor-presidente da MUNDI Multimídia
S/A, e está procurando o sabor certo de investidor para a sua
empresa.
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