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Atualizada às sextas

Um passeio pelo Vale do Silício

SAN FRANCISCO – A USWeb/CKS, empresa que desenvolve websites sediada em San Francisco tem clientes como a Apple, Ecircles, GO Network (da Disney), entre outras grandes companhias de tecnologia. A USWeb possui 4000 funcionários espalhados pelo mundo e costuma trabalhar com um orçamento mínimo de um milhão e meio de dólares por site desenvolvido. A USWeb/CKS foi formada em 1995, portanto tem apenas 4 anos e um valor de mercado provavelmente igual ou maior que o nosso Banco do Brasil.

Este é apenas um caso entre as dezenas de empresas que surgiram na onda CRAZY.COM  (loucura ponto com) da Califórnia, mais especificamente no Vale do Silício, região que compreende ainda as cidades de Palo Alto, San Jose e onde estão duas das melhores Universidades de Computação dos EUA: Berkley e Stanford.

A onda CRAZY.COM é o novo fenômeno da região mais rica e inquieta do planeta. San Fancisco é hoje um celeiro de techies, designers, e capitalistas formando as marcas mundiais que conquistarão a Web em alguns anos. Em uma ex-delegacia de polícia, a alguns quilômetros da USWeb/CKS está a Reef.com que faz ferramentas de comércio eletrônico. Eles são belgas, mas logo cedo perceberam que o caminho para ser global passava pelo Vale do Silício e não tiveram dúvida em mudar parte da equipe de vendas e negócios para a Califórnia.

Aliás sessenta por cento das pessoas que trabalham na Nova Nova Coisa (New New Thing, o novo livro do ex-CEO da Netscape), ou seja na novíssima economia digital vem de fora dos EUA. São chineses, coreanos, portugueses, suecos, alemães, brasileiros e outras nacionalidades que vieram atrás do clima? Do dinheiro? Das pessoas? Ninguém sabe ao certo porque esta região atrai tantos empreendedores que fervilham de idéias. David Blumberg, capitalista de risco que falou para nós semana passada lá em San Francisco, teoriza: quem não se ajustou em seus países de origem foi para Nova Iorque, quem não se ajustou lá, foi para o meio do país, e finalmente quem não se ajustou em canto nenhum veio parar na Califórnia.

De qualquer modo, passar três dias visitando o Vale é uma experiência que muda a vida de qualquer pessoa, especialmente se for da área de tecnologia. Eu descobri no segundo dia em San Jose, uma incubadora de empresas exclusiva para companhias não-americanas que presta o serviço completo de montagem de sua empresa na América, com vistos, estrutura física e jurídica, hospedagem etc por US$ 150.000 por ano.

É uma grande maneira de nós pernambucanos termos acesso a capital abundante para materializarmos o sonho de sermos o maior pólo de informática da América Latina. Para todos do setor, é uma oportunidade de mudar a trajetória de suas empresas radicalmente: San Francisco é o lugar, seja para aquelas empresas que querem exportar para os EUA, seja para aqueles que querem apenas se capitalizar e desenvolver seus mercados de origem.

E se alguém duvidar de que estas coisas são possíveis é só dar um pulo no Vale, o ar de lá vai lhe fazer acreditar.

* Jairson Vitorino, Diretor da MUNDI Multimídia, pretende estabelecer uma presença de sua empresa no Vale em 2001.

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