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Atualizada às sextas

Na velocidade da Luz ao quadrado

SÃO PAULO - Às vezes tenho a nítida impressão de que podemos aplicar a famosa fórmula criada por Einstein E=mc2, isto é: energia é igual a massa vezes a velocidade da luz ao quadrado, ao fenômeno da Internet. Neste caso a fórmula sofreria uma pequena modificação e seria: I = mc2, que quer dizer a Internet (ou os negócios na Internet) é igual a quantidade de dinheiro investido m (de money) multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado.

Analisando esta fórmula, percebe-se que com muito pouco dinheiro ainda é possível criar um grande negócio na Internet. Obviamente que pouco dinheiro para esta área denotam cifras que podem começar em R$ 200 mil reais e subindo (cada dia mais empresas investem milhões de reais na Rede tornando mais difícil e cara a entrada de pequenos empreendedores neste terreno).

Na última quinta-feira (20/01) à noite tive a sorte de participar de uma destas discussões sobre os negócios digitais em São Paulo. Um dos nossos clientes convidou-me a juntar-se a um grupo de pessoas das mais variadas áreas (predominantemente bancos de investimentos e empresas na Internet) que discutem periodicamente a nova nova Economia (como no livro do ex-CEO da Netscape, Jim Barksdale).

No grupo tinha gente da Arthur Andersen, Citibank, ABN, Opportunity, Bank of America e outros fundos menores, além de 4 ou 5 pessoas de empresas startups de Internet (como eu). Tinha também um pessoal da Bloomberg (o sexto site de finanças mais acessado nos EUA com 200 milhões de pageviews por mês).

O assunto girou principalmente sobre como os fundos estão escolhendo as empresas Internet que investem, mas passou também por pirataria de domínios (o www.bloomberg.com.br foi tomado por piratas brasileiros), provedores gratuitos, os negócios quentes da Web (unanimidade para o business to business) e as várias histórias que o pessoal tinha pra contar.

Por exemplo, um dos participantes, com passagens pelo Citibank em São Paulo e Tóquio e um MBA em Wharton, a melhor escola de administração americana, agora tinha virado empreendedor e montado o site www.ingressofacil.com.br que com menos de um mês e meio já tinha vendido 8000 ingressos de futebol. A empresa dele, a ISD, é uma fábrica de novas empresas digitais, uma incubadora privada. Eles estão montando uma operação em São Paulo para receber empreendedores com boas idéias.

Para resumir a ópera, as minhas conclusões, depois de ouvir a conversa de tantos puros-sangue da administração paulista, é que o terreno está nivelado igualmente, e um MBA em Harvard vale muito, mas na nova economia, uma idéia e principalmente uma personalidade empreendedora podem valer muito mais. Quando chegou minha vez de falar, toda a platéia reconheceu Recife como um lugar onde as coisas estavam acontecendo, onde tinha muita gente inquieta e empresas extremamente inovadoras. Foi uma grata surpresa.

Espero que as pessoas de dinheiro da cidade estejam antenadas com o que está acontecendo aqui e começem a pensar em investir. A três mil quilômetros de distância todo mundo já sabe.

* Jairson Vitorino é diretor da Mundi Multimídia S/A e não tem MBA nos EUA (so what?)

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