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Quem
está vendo a revolução?
Chego
ao escritório e dou uma rápida olhada nas notícias eletrônicas
que chegam no meu mailbox e no meu browser. Claro que tem também
um grande jornal de notícias econômicas que ainda teima em não
estar na Web. Escavando esta pilha de informações procuro
extrair algum conhecimento e um tema aleatório para esta
coluna de hoje.
Aos
poucos percebo um padrão se formando em tantas notícias
aparentemente díspares: O IG ganhou 420 mil usuários em duas
semanas, A United vai criar um empresa .com que vende
passagens aéreas e serviços de turismo e abrir o capital em
Nova Iorque, o Shopping do UOL agora vende os perfumes Calvin
Klein... Uma forte impressão forma-se em minha mente: estão
todos correndo para a Internet. E depois uma dúvida me
assalta: estão?
Parece
que estamos vivendo em dois mundos paralelos. Os off-line e os
on-line duelando numa disputa quase ideológica. Amazon
versus Barnes&Noble, Rede Globo versus UOL + Starmedia +
AOL + Yahoo.com.br . Bill Gates versus Steve Case. Todos
à luz do dia falam que a Internet é a prioridade mais alta
na empresa, mas internamente muitos conspiram contra a nova
economia, impedem o avanço do site, criticam o novo design, e
pensam secretamente consigo mesmo: isto tudo não vai dar em
nada.
Quando
ligo o rádio e ouço os comerciais, eles me assustam.
Demonstram como nossos homens de negócios, nossos
empreendedores donos das lojas, fábricas de biscoito,
concessionárias, cinemas, jornais, promotores de eventos estão
longe da Internet. Nada de www.qualquercoisa.com nestes anúncios,
nada de diferente, continuam os mesmos desde a década de 80.
E no entanto o ingressofacil.com.br vendeu em um mês e meio
8000 ingressos pela Internet.
Em
qualquer grande cidade do Brasil observamos a velha economia
andando na direção oposta do futuro e fingindo que a Web,
estes jovens todos, e estas empresas .com são uns sonhadores,
quase hippies. Tudo isto vai passar, e as empresas serão as
mesmas nos próximos 10 anos.
E,
no entanto, eles, os empreendedores digitais, estão por toda
parte. Em São Paulo, um empresário da área de comércio de
sapatos nos encomendou uma proposta de site que tem de tudo:
acesso gratuito, e-mail, chat, clubes e comunidades, promoções
que remuneram o Internauta para surfar. Um outro de Florianópolis
está adquirindo quase um milhão de dólares em equipamentos
para criar a maior empresa da América Latina de marketing por
e-mail.
Até
quando a velha economia vai fazer vista grossa? Aposto que por
pouco tempo. Muitos já desertaram, e passaram para o outro
lado. Gente do mundo tradicional está investindo muito em .coms
na esperança de multiplicar seu investimento na passagem da
sociedade ao redor do átomo para a sociedade ao redor do bit.
Mas não há milagre, enquanto alguns ganham muito outros vão
ter que perder. E a velha piada do urso contada pelos
americanos se aplica bem aqui: as empresas tradicionais não têm
que vencer o urso faminto na corrida, só têm que vencer a
competição, se você correr mais que o seu competidor, ele
é que será devorado.
*
Jairson
Vitorino, é diretor da MUNDI Multimídia S/A e gosta de
apostar corridas
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