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08-12-2000
Quem lê tanta notícia?

O
Último Segundo, jornal que só existe na Web, lançou
um aplicativo que traz
as notícias do site para o desktop do internauta. Mais uma
ferramenta para
contribuir com nossa paranóia generalizada: estar atualizado,
sempre, sabendo em tempo real e com a mesma facilidade das últimas
peripécias do Planalto ou do campeonato de bola de gude na
Suécia (será que eles jogam
isso por lá?).
Sede
por informação? Campo fértil para os jornais
online. Os brasileiros caíram nas teias da WWW logo no comecinho
da Internet comercial no País e hoje, sem modéstia,
estão entre os mais avançados da Rede, incluindo aí
os veículos norte-americanos.
Duvida?
Até pouco tempo, os jornais dos EUA sequer se davam ao trabalho
de se manter updated, com mudança de manchetes ao longo do
dia. Tá certo que davam um banho em matéria de conteúdo
exclusivo e os grandões sempre foram muito completos. Mas,
proporcionalmente, considerando a força dos grupos de comunicação
norte-americanos, ainda hoje tem jornal ianque fazendo feio.
O tradicionalismo
parece ser o maior defeito dos sites dos jornalões americanos.
Só dois exemplos: New York
Times e USA Today. O primeiro
dá show em upgrade das notícias (a cada dez minutos!),
integração com agências,
cobertura. Mas o visual imita demais o impresso e os artigos, embora
bem organizados, parecem até dispostos em fileiras. Difícil
também discernir o conteúdo somente da versão
impressa do exclusivo da Internet.
Já
o USA Today mantém quase o mesmo layout de três anos
atrás! Isso, em Internet Time, é uma eternidade. Tempo
demais mesmo para quem acha que em time que está ganhando
não se mexe. Já foi exemplo de jornal online, ainda
hoje é um produto muito bem acabado. Só que o conservadorismo
impede vôos mais altos.
Para
efeitos de comparação, acesse os sites do Estadão,
Folha de São Paulo,
Diário do Grande ABC
e O Globo. Vai notar que, apesar
de termos largado depois, aprendemos com o jornalismo americano,
caprichamos na lição de casa e estamos nos valendo
de criatividade e ousadia para aliviar um pouco a sede por notícia
dos internautas.
PS.:
O site do nosso JC OnLine, claro ;), também merece cartaz:
foi o primeiro jornal do Brasil a entrar na Rede, em 1994, ainda
no formato Gopher (somente texto), antes da chegada da Web.
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Hugo Pordeus é produtor executivo do site BuscaGRÁTIS
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