Até a AOL sofre para
vencer o funil
da Intern
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Ei, alguém aí ainda está lembrado de que a America Online - maior empresa de serviços de Internet do mundo, detentora de marcas como Netscape, ICQ e Time Warner - chegou ao Brasil há seis meses prometendo disputar a liderança do mercado de Internet nacional? Tendo estreado no País em novembro de 1999, a companhia ainda luta para se equilibrar e é o exemplo vivo de que, na guerra digital, a imprevisibilidade tem que fazer parte de qualquer estratégia de negócios.

Receita anual de US$ 4,77 bilhões e mais de 22 milhões de assinantes em todo o mundo. Os números, que fizeram tremer os provedores brasileiros no final do ano passado, assustam. Mas não fazem milagre. Esta semana, a poderosa America Online anunciou uma guinada total em seus planos para o Brasil, com associações e táticas de marketing mais agressivas.

Alguns ainda não esqueceram a trapalhada do provedor, que distribuiu CDs com músicas do conjunto de pagode Raça Negra no lugar dos CD-ROMscom o kit promocional de acesso. Para quem está acostumado com cifras e cartelas de clientes grandiosas, ter atingido em seis meses a marca de 100 mil assinantes (estimativa) é muito pouco. Menos ainda quando isso significa menos de 25% do market share do líder, o Universo Online, que afirma possuir mais de 600 mil assinantes.

A tentativa de dar a volta por cima da AOL vai ser baseada em parcerias como a que envolve a 3Com. Através do acordo, os assinantes da America Online no Brasil vão poder enviar e receber e-mails por meio dos modelos de computador de mão Palm, produzidos pela 3Com. Bancos, como o Itaú, também podem vir a se tornar parceiros, exclusivos, do provedor, para fornecimento de acesso aos clientes.

Outros desafios vão ter que ser enfrentados pela AOL no Brasil: como a empresa desembarcou um pouco 'tarde' no mar de negociações por que vem passando o mercado digital nacional, está cada vez mais difícil fechar contratos para ampliar sua gama de conteúdo de qualidade, como fez o portal Terra/Zaz, que desembolsou US$ 46 milhões para deter exclusividade sobre as notícias do Grupo Estado na Web.

Mesmo contando com um poderio internacional inigualável, capital de sobra para investir, estrutura global de comunicação de dados e uma marca consolidada, a AOL está tendo que suar a camisa para correr atrás dos líderes UOL e Terra.

Correndo por fora, o iG (Internet Gratuita) vem inflacionando o mercado, comprando sites por milhões de reais, contratando gente famosa na área de jornalismo e abrindo os cofres para investir em propaganda, principalmente na TV.

Mais forte na área corporativa, mas já com os dois pés fincados no setor de fornecimento de conexão ao usuário doméstico, a PSINet comprou recentemente os provedores Pontocom, do Rio de Janeiro, e Elógica, do Recife, maior da região Norte-Nordeste. É uma empresa com filiais em dezenas de países, líder em seu segmento no Brasil e terceiro colocado em número de clientes.

Alguns especialistas temem que o mercado de Internet, não só no Brasil mas em todo o mundo, fique nas mãos de uns poucos gigantes, o que trará muitos prejuízos em termos da democratização de acesso às informações. Começam a valer os interesses comerciais em prejuízo da liberdade de expressão. Os Estados Unidos já vivem o drama provocado por tantas fusões e ninguém mais sabe quem é dono de quem. O funil está cada vez mais estreito.

A AOL está disposta a gastar para dobrar sua presença até o final do ano. UOL e Terra se esforçam para não sair da dianteira. Provedores gratuitos despejam números de assinantes de fazer inveja. Nessa avalanche, os menores estão cada vez mais tímidos, embora continuem defendendo a bandeira da qualidade acima de tudo e o contato mais íntimo com o cliente. Mas se vão conseguir passar pelo funil, aí já é outra história...

* Hugo Pordeus é produtor executivo do site BuscaGRÁTIS