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22-12-2000
O trabalho nos tempos da Web

Quinta-feira. Passa da meia-noite. Em vez de estar na cama, dormindo o sono dos justos, vislumbro mais uma madrugada em frente ao computador, em um escritório quase vazio, não fosse pela companhia de dois outros “web slaves”, programadores deixando o sono de lado para manter firme a concentração e decifrar tantos códigos, comandos, para mim quase todos ininteligíveis.

Assim são os tempos ultramodernos. Tempos de Internet e alta tecnologia. Um panorama que deixou marcas definitivas nas relações de trabalho. Os computadores, ao contrário do prometido, não trouxeram consigo mais tempo livre para o lazer, para o ‘ócio criativo’.

Onde foram parar aqueles tantos minutos que eu ganhei com a minha consulta ao banco pela Web? E o pagamento do licenciamento do carro via site do Detran, que me economizou horas? Em canto nenhum. A realidade é uma só: nunca se trabalhou tanto, nem se produziu tanto, como agora. Principalmente nas funções relacionadas à Informática e à Web.

A notícia não é desanimadora. Pelo contrário. Com a tecnologia, veio também um mercado de trabalho amplo, competitivo, que remunera bem a mão-de-obra especializada, além de gerar dividendos expressivos para os municípios, estados, enfim, para a sociedade.

O trabalho, na maioria das pontocoms - as empresas típicas da Internet, geralmente responsáveis por websites, lojas virtuais, etc -, não tem rigidez de horários, mas demanda jornadas longas, que ultrapassam as 8, 10 horas diárias e exige uma capacidade de atualização feroz.

Estar ligado a qualquer tipo de produção para Internet é, sem dúvida, uma atividade promissora, para não dizer empolgante. Não é para todos, não oferece a estabilidade devida ou desejada, não é moleza, e tem ainda muitos outros 'nãos', como, de resto, qualquer outra profissão.

O admirável mundo novo, já se sabe, não será só 'paz e amor' nem 'sombra e água fresca'. Agora, resta encontrarmos uma fórmula melhor de lidar com tanta competitividade e trabalho, sem perder a ternura, a vida, a humanidade. Jamais.

PS: Um Feliz Natal e um 2001 'produtivo' para todos ;) E, se der tempo, acessem www.itau.com.br e vejam a campanha publicitária virtual do banco, uma das melhores coisas que já vi na Web. Tchau.

* Hugo Pordeus, jornalista, é produtor executivo da MundiDIRECT e editor do BuscaGRÁTIS

Coluna atualizada às sextas