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23-06-2000
Há um alguém na multidão

"Ou
a Internet é mesmo cheia de caridosos ou tem algum interesse diabólico
por trás de tanta oferta e tanto prêmio, sem falar no monte de serviço
gratuito que tem por aí...". Essa dúvida anda na cabeça de muito
internauta, que olha desconfiado para a chuva de promoções online.
Não
se trata de caridade. Nem, por outro lado, de má intenção. É um
fato de que poucos se deram conta. Apesar de todo esse alvoroço
em cima da Web, ela ainda está, comparativamente, na fase de estréia
da televisão. O clima de improviso, de experimentação ainda domina
a Internet. E isso não é nada ruim: impulsiona a procura por formas
de crescer, acelera a consolidação.
A
palavra-chave é tão obsoleta quanto verdadeira: audiência. Só está
faturando com publicidade quem tem uma audiência fiel, esmagadora
e diversificada. E esses são os portais gigantes (como UOL e Terra)
e as páginas segmentadas ao extremo. De um lado, conteúdo vasto
e para todos os gostos. Do outro, utilidade e conhecimento estratégico.
Quem
ainda não tem essa palavra mágica em seu dicionário, está procurando.
Daí a busca desenfreada para chamar a sua atenção, caro internauta.
Prêmios, sim. Para fazê-lo acessar a homepage, voltar sempre, fazer
o boca a boca (ou o mail a mail, se for o caso) com os amigos. Muito
obrigado. E, ah, já que você está aqui, que tal ganhar um carro
ou um computador? O que queremos em troca? Sua preferência.
Os
homens de negócios demoraram a enxergar na Internet uma fonte lucrativa.
Quando alguns marmanjos de 17 anos começaram a ficar ricos, ganhando
dez vezes mais do que executivos experientes, e o fenômeno WWW começou
a ganhar as páginas de jornal, só aí é que o mercado resolveu conferir
de perto como podia explorar essa monstruosa rede de computadores
conectados - não por fios e antenas, mas pela sede de comunicação
das pessoas.
Mas
ganhar dinheiro com um website não se mostrou uma tarefa tão fácil.
E hoje menos ainda. Se a fórmula conteúdo + publicidade deu certo
em todos os meios de comunicação, na Web não foi bem assim. O banner,
forma mais comum de anunciar um produto em um site, está sendo cada
vez menos eficiente. Em 1997, 1,7% dos internautas clicavam nele
para saber de uma novidade, visitar o link recomendado ou até saber
mais sobre um produto. Agora, esse número está em 0,39%.
Todos
sabem que dar prêmios é uma prática comum em todos os meios de comunicação.
É uma maneira eficaz de garantir que um programa seja visto, que
um seção seja lida e comentada. Alguns exageram e sobrepõem ao essencial
(o serviço) os prêmios. Não é lição mas vale ter em mente: nem todos
os prêmios do mundo vão assegurar o usuário nosso de cada dia se
não houver qualidade e informação dirigida.
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Hugo Pordeus é produtor executivo do site BuscaGRÁTIS
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