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29-09-2000
You have a new message

Semana passada, fui pela primeira vez neste ano a um posto dos Correios. O fato, antes corriqueiro, me fez voltar ao tempo em que o hábito de escrever (e enviar!) cartas estava bastante presente na minha vida.

Não é novidade alguma que escrever cartas ajuda e muito a melhorar as habilidades de comunicação escrita das pessoas, tendo reflexo, inclusive, na fala. Mas o maior prazer para quem envia uma carta é aquela sensação de ansiedade que antecede o momento de confirmação da chegada da mensagem ao
destinatário.

Para quem recebe, então, o prazer é duplo, pois vem seguido da surpresa. É lisonjeador saber que alguém separou uma parte de seu tempo, parou, pegou caneta e papel (!) e, simplesmente, lhe escreveu algumas linhas, contando novidades banais ou revelando um fato de grande importância.

Depois da invenção, ou melhor, da popularização do e-mail (do inglês electronic mail), as cartas nunca mais foram as mesmas. Pelo menos para essa parcela privilegiada da população mundial que possui um computador e uma linha telefônica para se conectar à Internet.

Enquanto esperava na fila para realizar aquele ritual já um pouco esquecido de pagar por um selo para enviar uma correspondência, pensava nas diferenças entre o e-mail e a carta. Nem o mais nostálgico dos seres poderia deixar de
perceber as vantagens da versão digital: velocidade é a maior delas.

O e-mail é a ferramenta da Internet mais utilizada pelos usuários, batendo, inclusive, a própria Web. A maioria dos americanos prefere se comunicar com os amigos e também no trabalho através do correio eletrônico. A World Wide Web e seus bilhões de páginas parece estar confundindo os internautas. Um
mar de informação disponível e pouco tempo para navegar em suas águas.

Nos Estados Unidos, o volume de e-mail enviado já é equivalente ao de cartas. Até o final de 2000, mais de sete trilhões de e-mails serão
mandados. E em 2001, 50% dos norte-americanos vão estar utilizando e-mail.

O funcionário dos Correios sela minha carta, carimba e insere o envelope em uma urna. Neste mesmo intervalo de tempo, poderia ter enviado dezenas de e-mails. Há certas pessoas que persistem em se fazer antigas. E o melhor:
não há nada de mais nisso!

PS1.: A esta altura, minha carta já chegou, sã e salva, ao seu destino. Detalhe: a pessoa que a recebeu não possui uma conta de e-mail e não
dispensa por nada nesse mundo o velho e bom carteiro...

* Hugo Pordeus é produtor executivo do site BuscaGRÁTIS

Coluna atualizada às sextas