30-06-2000
Fazendo as contas

Levante a mão quem acredita em estatísticas sobre Internet. Recentemente, o Yankee Group divulgou que o Brasil já teria 10,5 milhões de pessoas conectadas à Rede. Outros estudos falam em algo entre 6 e 8 milhões. Porém o Ibope, sinônimo de pesquisa de opinião por aqui, acaba de ligar sua ducha gelada de antientusiasmo: segundo o instituto, existem "apenas" 4,8 milhões de internautas brasileiros.

Para chegar aos números finais da 7ª Pesquisa Internet Pop, feita durante o mês de maio, foram colhidos depoimentos de 15 mil pessoas com idade superior a 10 anos, nas principais capitais do País: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Distrito Federal.

Os que fazem cara feia para o Ibope alegam que o instituto estaria ignorando o boom que houve na Web nacional nos últimos meses, com a chegada dos provedores de acesso gratuito. Ou pelo menos subestimando. A 6ª pesquisa Ibope, que já refletia o fenômeno iG & Cia., indicava 4,5 milhões de internautas. Ou seja: apenas 1% menos do que agora.

Pergunta: O que é um internauta? a) quem se conecta através de um PC em casa, no trabalho ou na escola; b) alguém que possui e-mail, mas não tem micro e acessa a Internet esporadicamente em locais públicos; c) pessoas que se conectam com pouca freqüência na casa de amigos, na escola ou faculdade. Para o Ibope, a única resposta satisfatória é a letra A.

Talvez esteja aí a explicação para a grande disparidade entre os números dos grupos internacionais de pesquisa e consultoria - como Gartner, Yankee e até o IDC - para o Ibope, que está trabalhando com um "corte na realidade" mais bem definido. São ouvidos nas pesquisas Internet Pop moradores das maiores áreas urbanas do País, que se conectam a partir de casa ou do trabalho, através do processo tradicional de estatística, com questionários respondidos porta a porta ou por telefone.

Ainda de acordo com a 7ª Pesquisa Internet Pop, 14% dos internautas já compraram pela Web e 50% dos entrevistados são heavy users e, desses, 42% passam entre duas e dez horas conectados. O levantamento revelou um dado interessante (mas não surpreendente): os internautas de peso continuam pagando pela conexão (45%). Desse total, 32% também possuem conta em provedores gratuitos.

Na corda bamba entre o suposto conservadorismo do Ibope e as estatísticas fantásticas, o mercado de Internet brasileiro tem que dar uma de malabarista para fazer as contas e definir suas ações estratégicas. Num cálculo simples, mesmo que o País tenha hoje aproximadamente 7 milhões de internautas, a conclusão não muda. Ainda é muito pouco, menos de 5% da população brasileira. E tome educação, distribuição de renda e computador para mudar esse cenário. Ainda vai levar um tempo.

* Hugo Pordeus é produtor executivo do site BuscaGRÁTIS

Coluna atualizada às sextas