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11-05-2001
Olhe para trás e enxergue à frente

A volúpia
é triste um minuto após o êxtase, já
dizia Drummond. E o ápice das pontocom foi mais rápido
do que você pudesse dizer "um dia a casa cai". A
tristeza então veio se abater sobre os jovens empreendedores
e, de quebra, nos arrependidos investidores que despejaram alguns
milhões em projetos indecisos e sonhadores demais.
Tudo
isso é verdade. Não é verdade, no entanto,
que a Internet seja um fracasso. Que as empresas pontocom são
inviáveis. Que todos os jovens empresários são
irresponsáveis. A velha seleção natural darwiniana
varreu do mapa quem não tinha condições de
vencer. Por azar, eram muitas as companhias nesta situação.
E ficou a impressão de que nunca mais a Web seria a mesma.
O que também é verdade, embora não seja de
todo ruim.
Os
negócios na Internet possivelmente levarão mais tempo
do que o esperado de início para ter uma força comparável
ao mundo de tijolo e cimento. Nem os institutos de pesquisa especializados
em Tecnologia da Informação conseguem fazer bater
suas estimativas. As diferenças chegam a bilhões em
alguns estudos similares.
Já
que, por enquanto, nem os grandões das estatísticas
estão se entendendo, nós, meros mortais, podemos aproveitar
para exercer a milenar tarefa de fazer previsões, já
que, segundo o grande filósofo Confúcio, "para
conhecer o futuro basta olhar para o passado". Para não
revelar todos os segredos, ficaremos em três observações:
- PROVEDORES:
Previsão 9.1, retificando e invalidando todas as anteriores.
É, meu amigo, não adiantou o decreto quase geral da
mídia especializada. Pelo jeito, os pequenos vão sobreviver.
Seus proprietários podem até não ficar milionários,
mas os provedores locais, com foco de atuação, estão
mostrando que ainda têm vida longa pela frente. Em que se
seguram? Suporte de qualidade, conexão no mesmo nível
dos gigantes e no senso de comunidade regional.
- PONTOCOM.BR:
Já estão de fora os megalomaníacos e, infelizmente,
a maioria dos amadores. A Web está a cada dia mais profissional,
com os portais engolindo os sites alternativos. O mercado é
cruel. Alguns ainda resistem, mas grande parte deve cair no limbo.
Fusões e parcerias já estão acontecendo e devem
se intensificar. Quem quiser sobreviver terá que dar as mãos.
Mas ao contrário do que os pessimistas adoram alardear: ainda
há dinheiro para investir em bons projetos de pontocom. A
diferença é que só papo e aquele business plan
que mais parece um livro de ficção científica
não vão adiantar nessa fase.
- E-COMMERCE:
Os maiores players online do comércio eletrônico (B2C)
se deram bem vendendo coisas baratas, como livros e CDs. A desconfiança
e a falta do "cara a cara" eram e ainda são os
obstáculos principais para as vendas de bens como apartamentos,
móveis e eletrodomésticos. As montadoras de carros
já acharam uma solução "genial" para
faturar bem na Internet: preço diferenciado. No Natal de
2001, as lembrancinhas ainda vão estar na linha de frente
das compras online. Mas, já em 2002, computadores e equipamentos
de informática podem tomar a dianteira (em total de unidades
comercializadas).
E você,
quer arriscar suas previsões também? Envie para o
e-mail hugopordeus@osite.com.br.
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Hugo Pordeus, jornalista, é diretor de conteúdo da
MAILMEDIA
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