PreviewFirewall

10-01-2001
Yes, nós temos game 100% nacional. E bom!

Márcio Padrão
Jornal do Commercio

Um dos maiores sonhos dos programadores brasileiros é provar que o produto tupiniquim é competitivo e de qualidade em relação aos concorrentes dos Estados Unidos e Japão. Graças à iniciativa da Continuum Entertainment, sediada em Curitiba, este objetivo tornou-se realidade. Outlive – A Era da Sobrevivência é o nome de um jogo de estratégia 100% nacional, um ambicioso projeto que visa conquistar o mercado dentro e fora do Brasil.

A criação de Outlive confunde-se com a história da própria Continuum. Criada no começo de 1998 por cinco sócios, a empresa não teria existido se não fosse a Incubadora Tecnológica de Curitiba, que forneceu infra-estrutura e assistência jurídica necessárias enquanto eles produziam seu primeiro modelo de estratégia, o Extinct. “Levamos todo o ano de 1997 para criá-lo, mas quando percebemos algumas falhas, decidimos criar um jogo melhor”, afirma o diretor comercial da Continuum e um dos idealizadores do jogo, Rafael Dolzan.

Neste processo, o Outlive aproveitou muitas das idéias originais do Extinct. Se o protótipo rodava no sistema DOS e possuía perspectiva aérea, o sucessor funciona no Windows e tem uma visão mais transversal e realista, com mais detalhes nas construções e veículos.

A produção do game custou R$ 100 mil. O jogo levou dois anos e oito meses para ser concluído por uma equipe de oito pessoas. Os números servem para visualizar a dificuldade de se produzir um produto de qualidade com recursos próprios e uma equipe reduzida. “Se fosse nos EUA, acho que um jogo deste porte chegaria a US$ 2 milhões”, diz Dolzan, que cuidou do enredo, enquanto os outros sócios e três contratados se ocuparam da programação e finalização.

O jogo foi criado a partir da linguagem C++ e a bela abertura foi desenvolvida com o uso do 3D Studio Max. ”São os dois melhores programas do gênero para a produção de games”, ressalta Dolzan. A trilha sonora foi gravada fora da Continuum, em um estúdio profissional de Cutitiba. O jogo está disponível desde outubro, mas a distribuidora Objetiva não realizou ainda um levantamento das vendas. Neste ano, Outlive será lançado nos EUA e Europa. “Ele foi pensado desde sempre para ser um produto de exportação, pois não teríamos retorno de investimento apenas no Brasil”. Que venham iniciativas semelhantes para criar, em um futuro próximo, um mercado de jogos no país tropical.