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14-02-2001
Fórmula repetida, jogo cansativo

Márcio Padrão
Jornal do Commercio

Seis fuzileiros haviam morrido e nada de a unidade de elite contra terrorismo, em Washington, contornar a situação. Os russos guardam uma bomba nuclear e não a detonaram ainda porque esperam pelo resgate em dinheiro. Sobrou pra David Llewelyn Jones, um ex-soldado britânico do Serviço Aéreo Especial, invadir a base dos rebeldes e salvar a pátria, em Project I’m Going In (IGI), novo shooter da Eidos Interactive (a mesma da série Tomb Raider) e distribuído no Brasil pela Greenleaf.

Claro que o enredo é batido, pois parece que os produtores de jogos estão sem criatividade – ou com preguiça – de sair do lugar-comum, principalmente em games no estilo shooter como esse. O que é uma pena, porque a história de Project IGI deveria fazer a diferença entre tantos jogos ‘atira-e-mata’ espalhados pelo mercado.

O jogador controla o agente de campo Jones que, como preza o clichê, começa o jogo munido de poucas armas, irá obter o armamento dos inimigos mortos e vai explorar todos os cantos até achar a saída. Isso tudo não chega a ser problema. De Wolfstein a Quake, a fórmula praticamente não mudou nos últimos anos. A questão é como o jogador executa esse roteiro e se diverte com isso.

A graça de jogar Doom e Quake sempre foram as possibilidades extremas e absurdas de matança, que iam desde metralhadoras giratórias até machados, armas de plasma e motosserras. Os itens milagrosos também se destacavam, recuperando a saúde do personagem nos momentos mais preciosos. Nos atuais shooters, incluindo Project IGI, a frieza e o excesso de realismo são a bola da vez. Os tiros inimigos ferem muito, a munição é cada vez mais reduzida e a mira não pode ser menos que certeira. Detalhes que inibem o desenfreado instinto assassino do jogador e, conseqüentemente, prejudicam a diversão.

Outro ponto negativo é a jogabilidade complexa. Ao contrário dos comandos resumidos de antes – atirar, abrir portas, pular – o protagonista interage com veículos e sobe escadas, e a maior oferta de ações provoca efeito inverso. Em vez de agradar, irrita o jogador, que terá que memorizar mais funções de teclado. A mobilidade ‘setas de teclado + mouse’ também é complicada, a ponto de ser desestimulante.

Para completar, Project IGI exige muita memória do disco rígido, fato que deixa o game vagaroso para rodar. Os gráficos e o som estão na média, deixando no ar: porque tanto espaço para um jogo tão ‘normal’? Por outro lado, se o jogo fosse envolvente, este seria o menor dos problemas.

SORTEIO – Para concorrer ao game, responda à pergunta: você deixaria de comprar um produto tecnológico feito por uma empresa que fez algo de que você discorda?