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14-03-2001
Aventura insossa em RPG confuso

Márcio Padrão
Jornal do Commercio

Quem joga RPG sabe quão imensos podem ser cenários de aventuras. Tanta extensão de ‘terra’ serve para englobar diferentes paisagens que interagem com os protagonistas: de florestas sombrias que ocultam inimigos a desertos repletos de tempestades de areia. Dungeons & Dragons não é uma exceção. Um dos universos do sistema, Forgotten Realms (Reinos Esquecidos), apresenta no extremo norte os reinos gelados de Faerûn, um continente do mundo de Abeir-Toril. É lá que acontece a história de Icewind Dale, da Black Isle Studios e distribuído pela Byte & Brothers.

Como de costume, o jogador precisa criar seu(s) personagem (ns) nos mínimos detalhes. Inclua aí a raça (humano, elfo, anão, etc), classe (guerreiro, mago, etc), sexo, cor da pele e dos cabelos, personalidade, aparência, habilidades com ou sem armas (força, destreza, sabedoria, inteligência, etc), além do nome, é claro. Na opção multiplayer, o líder pode ter controle sobre um ou mais personagens e é importante criar um grupo de aventureiros com atributos variados. Não basta ter guerreiros, os magos também são eficazes em alguns momentos.

O começo do jogo ocorre em uma taverna n cidade de Easthaven. O primeiro diálogo entre o jogador e Hrothgar, um dos moradores, esclarece que o grupo deverá ser chamado para uma caravana em direção à cidade de Kuldahar. Só saindo da taverna é que a ação se desenrola de vez, procurando pistas com outros moradores e enfrentando algum ‘bicho feio’, como baratas gigantes, orcs e enormes ogros.

O gráfico está na média dos atuais RPGs de computador, com aquela perspectiva aérea e inclinada de sempre, os menus ao redor pela tela, áreas escuras que vão clareando quando se chega mais perto, etc. As texturas dos cenários são muito trabalhadas. De resto, nada de mais. Ponto negativo para a extensa e monótona abertura, com um livro antigo sendo folheado e introduzindo a trama (mais clichê, impossível). Com o som, no entanto, o grande charme fica por conta da bela trilha orquestrada, mas é uma pena que ela só ‘cresça’ aos ouvidos nos cenários abertos.

A jogabilidade é um pouco chata, se comparada com outro exemplar da série, Planescape: Torment. Fora o trivial – andar, conversar e lutar – as demais opções não ficam muito claras. Leva tempo para se entrosar com o jogo e muitos personagens de cena se repetem nos diálogos. Além do mais, está tudo em inglês (com exceção do manual). Dessa forma, os Reinos Esquecidos também se tornam confusos.

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