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18-04-2001
Brincando
de ser deus
Márcio
Padrão
Jornal do Commercio
Segundo
o título de uma música dos Titãs, nem sempre
se pode ser deus. O jogo Black & White pode ser considerado
uma agradável exceção. Desenvolvido pela Lionhead
Studios e distribuído no Brasil pela Electronic Arts, a nova
criação do designer Peter Molyneux traz mais inovações
aos chamados simuladores de atividades.
Molyneux
tenta aprimorar o gênero sob os moldes da sua obra anterior,
Populous. A idéia principal é a mesma: comandar uma
sociedade inteira não como um prefeito, general do exército
ou coisa parecida, mas um deus. O objetivo do jogador é não
só guiar os seus adoradores oriundos de civilizações
antigas, como os astecas, celtas e egípcios , mas também
conceber a postura do deus em questão.
Se
ele for bondoso, o planeta será uma ilha de amor e fertilidade;
se for cruel, o medo e a insegurança tomarão conta
da vida dos fiéis. A índole da entidade é de
livre arbítrio do jogador e não se quantifica em desempenho.
O fato é que quanto mais ela impressionar os mortais com
milagres e eventos, mais poderosa se torna.
A personificação
do deus na tela não passa de uma imensa mão pairando
nos céus, parecendo-se mais com o personagem da Família
Addams. Ela não vem sozinha: um anjo e um diabo serão
a sua consciência ao longo do jogo, fornecendo
dicas importantes e explicando as principais etapas de cada fase.
No meio do caminho, ambos sugerem ações, ao seu modo.
O anjo pede que você ajude os cidadãos para receber
favores em troca, enquanto o diabo tenta convencê-lo a persuadi-los
à força. Poder para isso há, pois a tal mão
pode levantar objetos que pesam toneladas, percorrer quilômetros
de terra em poucos segundos e dominar as forças da natureza,
entre outras proezas.
O maior
diferencial é que você ganha um bicho de estimação
opção entre macaco, touro e tigre no
fim da primeira fase. Ele será um tipo de emissário
do seu deus, pois suas ações na Terra serão
conseqüências diretas de como você o educará.
No início, ele é tão perspicaz quanto os bebês-animais
do comercial da Parmalat, mas com o tempo vai ganhar personalidade
própria. Boa ou má, novamente ao gosto do freguês.
A interface
do jogo é um primor: as ações básicas
podem ser realizadas no mouse, mas o teclado ganha vantagem por
ser mais completo. Recomenda-se equilibrar os dois periféricos
com o manual do lado. A ação, por outro lado, acontece
de forma cuidadosa e bastante lenta. Isso poderia ser um problema,
mas o jogador percebe que faz parte da proposta do game. É
para ser curtido sem a menor pressa.
Se
você tiver uma máquina mais simples, no entanto, a
citada vagarosidade poderá extrapolar os limites da paciência,
principalmente nos tutoriais e cenas das fases. Com certeza, o ótimo
mas pesado gráfico vai gerar aqueles pulos chatos
em PCs desprovidos de muita memória RAM. As vozes (em inglês),
música ambiente e outros aspectos do som também são
excelentes. Enfim, é um jogo quase tão poderoso quanto
um deus, mas com pequenas imperfeições naturais a
nós, mortais.
SORTEIO
Para participar do sorteio do jogo Black & White,
conte suas experiências boas e ruins com os
serviços gratuitos da Internet. Basta enviar
um e-mail informando, ainda, seu nome, endereço e telefone.
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