 |
21-02-2001
Atmosfera
futurista em desafio viciante
Márcio
Padrão
Jornal do Commercio
Ter
assistido aos filmes Matrix e Akira pelo menos uma vez. É
o requisito básico para entender melhor o universo de Oni,
novo game de ação da Bungie com a Godgames, distribuído
pela Greenleaf. As películas citadas resumem toda a atmosfera
futurista-apocalíptica-cyberpunk do jogo, mas com o cuidado
de se destacar entre as cópias oportunistas e sem originalidade,
existentes no mundo dos games e no cinema atual.
O jogador
entra na pele de Konoko, uma agente da Força-Tarefa contra
Crimes Tecnológicos. Treinada em artes marciais e com um
passado misterioso, a garota recebe a missão de acabar com
uma organização criminosa. Os contatos são
o chefe dela, o Comandante Griffin, e Shinatama, um BVS (Boneco
de Vida Simulada). Os BVSs são seres artificiais que estão
se tornando guerreiros fortes e perigosos para a humanidade. Tudo
acontece em um futuro onde a superpopulação continua
gerando problemas infra-estruturais.
As
referências aparecem em toda parte. Além do jeitão
bad girl e as roupas colantes de Konoko lembrarem bastante Trinity
(Matrix) e a musa Lara Croft, o vídeo de abertura é
repleto de perseguições de carros, tiroteios e muita
pancadaria, com direito até à chuva de caracteres
que ficou imortalizada no filme dos irmãos Wachowski. O visual
é todo calcado nos animes, os desenhos animados japoneses.
A ambientação da cidade lembra a Neo Tóquio
de Akira, com um toque da Los Angeles de Blade Runner. Até
mesmo o Grande Irmão o sistema vigilante do livro
1984, de George Orwell é citado.
Calma,
até aqui tudo está indo muito bem. Mas se você
não tiver um computador superequipado, pode esquecer. Para
sentir o drama, basta dizer que dois dos requisitos mínimos
são 64 MB de RAM e um processador de 266 MHz. Pior: o game
não suporta algumas das placas de vídeo mais usadas
do mercado, como Voodoo 1 e Rage 2c. Trocando em miúdos,
Oni é talvez um dos jogos mais exigentes em hardware da atualidade.
Se você conseguir uma máquina de 600 MHz, 96 MB de
RAM e uma placa TNT2 Ultra ou Rage 128 (ambas recomendadas na caixa
do jogo), talvez, e só talvez, você consiga rodar o
jogo normalmente.
Dito
isto, vamos ao jogo: Konoko, vista em terceira pessoa, é
controlada com a ajuda do mouse, recurso que prejudica os shooters
em geral, mas aqui chega a ser até estimulante, reforçada
pela sessão de treinamento em uma sala vazia (sim, Matrix,
mais uma vez) na primeira fase.
A qualidade
gráfica vai depender da sua placa 3D, mas espere por câmeras,
cenários e golpes que aproveitam à exaustão
o potencial 3D, capazes de extasiar até o mais apático
dos gamers. Já o som é potente e cristalino, com bons
efeitos e vozes digitalizadas. O desafio é dos bons, além
de viciante. Afinal, quem resiste a espancar e atirar em guardas
do futuro e confrontar um sistema tecnológico opressivo?
SORTEIO
Para ganhar o game Oni, responda
à pergunta: você prefere
jogar em um videogame ou em um computador?
|