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24-01-2001
O desafio de ser um soldado ianque

Márcio Padrão
Jornal do Commercio

“Eu sou um soldado das Forças Especiais Americanas! Farei tudo que a nação exigir de mim”. Assim começa o manual de Delta Force Land Warrior, terceiro jogo da série de guerra da NovaLogic. O resto do discurso remete à velha ideologia ianque: determinação para vencer batalhas, sofrimento pelos companheiros mortos, excesso de integridade e amor à pátria.

O lenga-lenga, explorado à exaustão em filmes, parece não trazer nada de novo. A premissa é a mesma: encarnar um dos soldados do grupo de elite Delta Force, especializado em encurralar terroristas, espiões e criminosos.

Não há mais o que dizer sobre o enredo. As fases são precedidas de uma missão, e depois é partir pro tiroteio. Traduzindo: não se espante se a tarefa for matar russos e outros povos ‘perigosos’. Nota-se que o formato não só é o mesmo da versão anterior, como também bate nos principais clichês.

Além do mais, o jogo é falho em diversos aspectos. A começar pela configuração mínima, um tanto pesada. Requisitando placa 3D e 64 MB de RAM, a lentidão para carregar as missões é frustrante. O jogador se cansa de esperar e pode desistir em apenas 15 minutos. Os gráficos são razoáveis mas o som cumpre bem o seu papel.

O desafio é grande, pois a resistência física do protagonista não é das melhores. Um só tiro pode matar, e não há os salvadores medicamentos da linha Quake. Pelo menos o arsenal é dos bons: sensores de alvo, sistema de posicionamento global, visão noturna e mira telescópica, além de fuzis, metralhadoras e explosivos. O problema é aprender a controlar o soldado: o recurso de teclado e mouse combinados se faz (des)necessário, transformando-o em um alvo fácil. Nunca foi tão chato ser o herói ianque.

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