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29-08-2001
Tipo zen de Paulo Coelho não funciona em game

Márcio Padrão
Do Jornal do Commercio


Diga a verdade: entre o novo lançamento para jogo de PC e um livro de Paulo Coelho, qual você escolheria? A resposta parece óbvia, mas é apenas para preparar o terreno e anunciar uma bizarra combinação. A Lenda do Assassino e do Profeta, o mais recente game da Infogrames, é baseado em uma história do maior vendedor de livros do Brasil em parceria com Stephen Carrière.

A lenda é narrada no estilo zen de Paulo Coelho. No Oriente Médio do século 13, o jovem guerreiro Tancredo de Nérac, no ápice de sua rebeldia, chama o companheiro Caradoc d’Orse para se afastar do Exército de Cristo, cujos conflitos com os povos da região ocidental não davam em nada. Tancredo muda o nome para As-Sayf, “A Cimitarra”, e ouve falar, anos depois, de um profeta que estaria construindo uma cidade ideal, distante de todos os tormentos. E vai em busca do mistério sem o companheiro Caradoc.

Não se deixe enganar pelo enredo pomposo: o jogo não consegue dar conta de tanta pretensão. A abertura tem um nível gráfico bem abaixo da média. Movimentos e textura dos personagens são meio capengas, como se fizessem parte de um desenho animado mal produzido. Durante as fases, o visual fica mais sofisticado e a movimentação em primeira pessoa com o mouse é praticamente idêntica ao Myst III: imagem observada em 360 graus a partir de um ponto fixo no chão.

Outro ponto fraco é que a jogabilidade tenta ser tão simples quanto à de Myst, mas o resultado é ineficiente. É difícil saber para que servem os objetos apanhados. Restou como maior ponto positivo o fato de som, legendas e até título do jogo terem sido traduzidos para o português.

Moral da história? Se depender dessa incursão ao mundo dos jogos, Paulo Coelho vai continuar bem distante da cobiçada cadeira na Academia Brasileira de Letras.

SORTEIO – Para participar do sorteio desse game, responda: qual o sistema operacional que você usa no seu micro e o que acha dele.