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19-05-2000
Viva la revolution napsteriana!
Desde
o ano passado, um programinha vem sendo copiado aos milhares todos
os dias pelos internautas do planeta Terra. Tem pouco mais de 600Kb,
ícones caseiros e botões desproporcionais. A funcionalidade é mínima.
Mesmo assim, este pequeno software está promovendo uma das maiores
mudanças no modo de como se irá produzir, consumir e comercializar
conteúdos digitais.
O
Napster (www.napster.com) transforma
qualquer computador online em um potencial servidor de arquivos
MP3 (o famoso formato digital que armazena músicas com qualidade
de CD). Funciona assim: todo mundo que tem o programa instalado
e está online compartilha os MP3's. Dessa forma, quando você está
ligado à Rede, através do Napster você pode copiar qualquer música
de qualquer outro usuário do planeta, e vice-versa. Boa idéia não?
As
melhores invenções da Internet sempre têm esta característica que
os americanos chamam de Network effect. O clássico exemplo do fax
mostra bem isto: um único fax não vale nada, dois aparelhos já permitem
comunicação e tem algum valor. À medida que o número de adeptos
cresce, o valor do equipamento cresce exponencialmente. É assim
que o Napster funciona: quanto mais usuários online, mais músicas
disponíveis; quanto mais músicas disponíveis, mais usuários online.
Isto
é o tipo de negócio que atrai qualquer investidor. O Napster conseguiu
criar o tal do Network effect porque permitiu unir uma comunidade
gigantesca de pessoas em torno de um bem digital super cobiçado:
o MP3.
Mas
a indústria acha que o Napster é apenas a primeira criatura de uma
futura geração de software que vai permitir trocar qualquer conteúdo
que possa se tornar digital: imagens, fotos, vídeo, livros, sons,
músicas, filmes, e qualquer tipo de informação.
A
banda Mettalica já processou o Napster, que teve que banir os seus
usuários que trocavam MP3 do grupo americano. Uma associação dos
poderosos da indústria fonográfica também tem um processo nas costas
do programinha. Isto só dá mais notícia na imprensa e aumenta a
popularidade do programa.
Além
do network effect, tem outra coisa interessante sobre o Napster.
O modelo da Internet de distribuição de informação é do tipo um
monte de clientes (computadores dos usuários) acessando um único
servidor (que armazena um site). O modelo do Napster transforma
qualquer cliente em servidor e qualquer servidor em cliente. Isto
define um novo modo de distribuição de informação e processamento,
ainda mais descentralizado do que o da própria Internet.
Compartilhar
processamento significa ter uma tarefa rodando em centenas de máquinas
para torná-la mais rápida. Por exemplo: imagine que você queira
enviar 20 mil e-mails que recebem sua newsletter mensal. Você pode
encontrar parceiros na rede que 'emprestem' suas máquinas para fazer
parte do processamento para você. Grandes negócios podem surgir
desta pequena criaturinha chamada Napster. Aguardem para ver!
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Jairson Vitorino é presidente da Mundi Web S.A., vice-presidente
de Tecnologia do Diga-me.com e presidente da NoAlvo.com
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