01-09-2000
Ganhando massa muscular

Nada como uma crise para as empresas que são do ramo crescerem e ocuparem espaço consistente no mercado. Já dizia o filósofo e apresentador de TV Senor Abravanel, também conhecido como Silvio Santos, que "Com crise se cresce". Por isso a Web deve render homenagens aos grandes bancos brasileiros que entenderam de financiar computador para a galera, via assinatura de jornal e revista, acesso grátis a provedor e até casa lotérica.

Bradesco, Unibanco, Itaú e Caixa Econômica Federal estão lançando, este mês, aquilo que deve ser considerado o fato mais importante na Web brasileira desde o começo de sua existência: o financiamento de micro em 24 meses para a população das classe B ,C e D.

Esqueçam o Nizan Guanaes, o Caio Túlio Costa, o Jack London e todas as outras figurinhas carimbadas que desfilam como referencial da Internet no Brasil ou nos sites de Tecnologia da Informação. Os personagens mais importantes da Web, a partir de agora, são os diretores de produtos bancários que estão engendrando os mega programas de vendas de computadores para dar massa muscular ao Mercado Brasil e lhes dar consistência digna desse nome mercado.

Porque até agora, apesar de todo esse frisson de sucesso na Web, faturamento no setor ainda é coisa de adolescente deslumbrado com o novo brinquedinho. Está todo mundo perdendo dinheiro despejando uma nojeira de dinheiro nas mídias convencionais para atrair um visitante novo na Internet.

Se o pessoal que é do ramo não entrasse nesse negócio como estão fazendo agora, a merreca de vendas que o setor está conseguindo sozinho ia estourar o negócio logo logo. Audiência para mídia, seja ela qual for, é fundamento no jogo. Mídia sem audiência é feito rendez vous sem cama, não funciona.

É bem verdade que a chamada economia real já apontava caminhos. O negócio de Web grande mesmo vai acontecer no chamado B2B que, na prática, é uma ferramenta de redução de custos e racionalização e controle de processos espetacular. Os outros B2 serão complementares. Inclusive o e-commerce. Porque não dá para comparar os negócios de varejo com os de atacado nesse aspecto. No primeiro, trata-se de uma substituição de meios de produção. No segundo, um plus na máquina de vendas. Dá para encarar?

Então saudemos a decisão dos grandes bancos (e veja que curiosidade - todos brasileiros, além da CEF) de espalhar micro onde tiver uma linha telefônica fixa. Que tal o sonho para cada terminal da Telemar, Telefônica, Vésper, etc, um ponto de micro?
Porque, no fundo, o que vai dar sentido ao negócio Internet de varejo - aí entendido como mídia com potencial de negócios - é o número de PCs instalados no País. Será esse o futuro. Claro, que aí cabe tudo quanto é parceria. Do provedor de crédito ao de conteúdo. Da empresa à casa lotérica.

Foi assim nos Estados Unidos, onde os grandes portais (até mesmo sem dizer isso ao cliente na mídia) despejaram milhões de máquinas para a população. Tratando-o com eletrodoméstico mesmo. Foi assim que as companhias de telefonia móvel fizeram, no Brasil, para ampliar sua base de clientes. Será pelos bancos, financiando computador para quem topar pagar R$ 90,00 por mês, que a web.br vai ganhar sustância.

E achar seu caminho, amém.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas