PreviewFirewall

02-02-2001
E nós, ainda vamos?l

Do ponto de vista de negócios, o primeiro mês do milênio para a Web é para ser esquecido. Mas se a gente olhar bem para o futuro da Intenert com base nos fatos recentes vai ver que ele bem que pode ser um marco para se refletir sobre o que nos espera.

Pegando uma carona dos "cases" da economia internacional, janeiro de 2001 está para a nova economia assim como janeiro de 96 está para a Russia, janeiro de 97 está para os tigres asiáticos e 98 para o Brasil. Com a diferença que, na Web, ninguém no FMI ou do Banco Mundial tomou sequer conhecimento.

E vai muito além do colossal volume de demissões que as empresas do setor estão fazendo, com a dureza das chamadas reformulações de estrutura e muito menos a parada geral na entrada de recursos nas empresas da chamada economia. Tem a ver com que diabos de espaço a Web vai ter na economia real e como ela vai se afirmar como ferramenta de negócios, já que parece claro que ela não será, como afirmarmam muitos analistas e consultores que sairam à cata de recursos de gente incalta: o negócio.

Não será. E, felizmente (ou infelizmente), muita gente agora (ou só agora) está tomando consciência disso e vai reformatar - para usar um termo de informatiquês - sua estratégia de negócio daqui para frente. Internet não é coisa para se ganhar dinheiro fácil.

Pode ser até que alguns consigam com a venda de uma boa idéia, mas, no geral, é trabalho duro para a maioria esmagadora das pessoas. Sendo assim, é de se esperar que aquele pessoal com aquela conversa bem editada e ternos bem cortados, com aquelas planilhas e datashows, não continue ter a credibilidade que lhe foi dada no passado, junto com alguns belos cheques.

E parece claro também que já é possivel ver alguns caminhos por onde a Web não terá como fugir. O principal é o natural: uma nova mídia, aí entendida como veículo em toda sua extensão. Ou, seja, disputando verba com jornal, rádio, TV, etc etc etc. Depois, como mídia - entendendo-se aí como ferramenta de trabalho - a ajudar a outros negócios, cabendo todos os "E" da vida. E-Commmerce, E-Governo, E-Educação, E-Business, até E-Oescambau. O resto é empulhação de consultor picareta querendo tomar dinheiro.

Portanto, se a gente procura ver o que existe de concreto, no negócio virtual da Internet, além das demissões em massa do setor, vai ver que no processo de seleção natural só os que descobrirem o foco vão ficar. O resta, que não é pouco gente, vai para o espaço.

No fundo, o que esta cada vez mais claro é que o grande mérito da Web é a "democratização" da informação. Que não é acessível a todo mundo e só aos que tiverem acesso ao equipamento. Que vai ser bom para quem é pobre, mas está em país rico; que é bom para rico, mas está em país pobre; e que pode ser bom para quem é pobre, está em país pobre, mas pode tem capacidade de obter recursos de país rico desejoso de ficar de bem com sua consciência. E o meio do caminhos, ou seja, os que estão nos países em desenvolvimento que podem ter resultados diferentes. Mas sempre com a idéia que Web não será a salvação do mundo, embora ajude até a pregar a palavra do Senhor.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas