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02-06-2001
Apagão, caladão e outros bugs

Complicada a vida do setor de Tecnologia da Informação nos últimos meses. Tudo quanto é analista e pitaqueiro de plantão dizendo que a Web não disse a que veio como negócio. Que a derrocada dos ícones da Web é o começo do fim. E que ninguém vai mais apostar alto nesse novo negócio porque ele, ao contrário de todo aparato tecológico que possa exigir, não vai demandar um volume tão grande de receitas.

É possível, mas é cada vez mais acelerada a incorporação da ferramenta computador/Web no dia-a-dia das pessoas no Brasil a despeito da baixa escolaridade de sua população e de seu baixo poder aquisitivo para ter acesso a essa tecnologia.

Pode ser. Mas é preciso dizer que quando a gente olha lá na ponta do homem de varejo que vende computador, impressora, unidade de gravação de CD e teclado e compara com o que acontecia há cinco anos - e até há dois anos -, a gente pode medir o quanto essa nossa sociedade mudou e incorporou esse jeito novo de saber das coisas.

Eu me lembro de uma cartaz que tinha em várias salas da Rede Globo, há 25 anos passados, onde a foto do Cid Moreira posando servia de fundo para dizer que, no passado, o chefe de família era aguardado no jantar para que a família soubesse das novidades do mundo. Hoje, o pai está sendo interrompido na reunião via celular por uma mensagem pedindo que compre a nova revista Premium, com histórias em quadrinhos dos super-heróis Marvel, cujo filho leu uma resenha no site da editora de histórias em quadrinhos.

Internet tende a ser isso mesmo. Ferramenta de comunicação e de ação na vida moderna. Na média em que a base cresce, as pessoas se acostumam a usá-la, a rodar programas cada vez mais amplos e de usar isso para o que o Dr. Braw diz no filme De volta para o Futuro II, fazer leitura recrativa.

É claro que a Web vai viver ainda um bom período de acomodação. E isso não é só no Brasil analfabetizado. Tem interferência no mundo moderno como uma coisa normal e cotidiana. Só que ela chegou e tomou parte em nossas vidas de uma forma muito rápida e muita gente que deu sorte, virou parâmetro de sucesso de vida e de projeto.

É por isso que eu acredito naquele achado poético do grande Helder Câmara, arcebispo eterno de Olinda, Recife e do Brasil: "Quanto mais negra a noite, mas carrega em si esperança". As pessoas vão gerir o apagão, vão inviabilizar o caladão e vão continuar a crescer no setor de Tecnologia da Informação, onde a Web consegue juntar tudo. Parece claro que a cada dia a Web é uma parte mais importantes nesse complexo. Não é o mais importante, mas é o estratégico. O que aglutina, que une, que integra.

A gente só precisa aprender como retirar mais dinheiro para o nosso nicho, porque ele está circulando e hoje está nas mãos de alguém dentro da cadeia produtiva da informação.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas