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03-08-2001
A Web já dá furo
Num
mundo cada vez mais preocupado com a classificação
dos países emergentes, onde qualquer letra pode definir o
futuro de bilhões de dólares e de governos, a informação
divulgada na página da Internet dos chamados "organismos
multilaterais" de cooperção internacional, tipo
Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Fundo
Monetário Internacional (FMI) pode fazer a diferença
entre o sucesso de um governo ou ministro da economia e um furo
atrás do qual todos os chamados meios clássicos de
comunicação vão atrás.
Isso
aconteceu na última sexta-feira quando Brasília e
Washington combinaram a hora da divulgação de um novo
acordo do Brasil com o FMI e, minutos depois, jogaram tudo na Internet.
Estava
lá para quem quisesse acessar a página do FMI (www.imf.org).
Um texto completo sobre o acordo, não muito rico em detalhes
mas o suficiente para poder ser usado imediatamente pelos jornais,
rádios, TV abertas e fechadas e outros portais em menos de
10 minutos.
Mas
jornais, agências de notícias, site de Web e especialmente
a TV ainda acham que Internet é apenas um meio de transmissão
e não um novo veículo. Ninguém disse que as
informações que estavam se utilizando foram recolhidas
na página do FMI. Usaram as declarações do
diretor Horst Köhler, escritas no texto, como se ele tivesse
falado com cada um dos repórteres dos veículos.
Ninguém
fez um jornalismo correto, sem informar ao leitor que tudo que estavam
reproduzindo estava sendo retirado da Web. E isso não é
bom para ninguém e a Web tem que começar a ser proteger
dessa omissão.
Isso
tem a ver sobre como a Web precisa dizer aos seus clientes corporativos
como pode ser ágil e chegar na frente dos meios tradicionais.
De se impor mesmo. Internet não é meio transmissão
de dados, é veiculo. Tem personalidade própria, estilo
e modo de apresentar a noticia. Seus textos sublinhados permitem
ao leitor acessar informações mais consistentes, que
podem permitir formar uma opinião com dados internacionais
que o rádio, a TV e o jornal vão levar bem mais tempo
para conseguir.
É
isso que o pessoal da Web tem que vender e espalhar: dizer a seus
clientes que pode dar furos nos canais tradicionais e chegar antes.
Em tempo real mesmo. E transformar isso em patrocínio.
Ninguém
vai investir bilhões de reais ou dólares num veículo
que não sabe se ele chega primeiro. E a Internet chega mesmo.
Só preciso dizer isso.
A propósito,
tudo que o texto do FMI disse no final da tarde de sexta-feira foi
usado para a produção dos textos e das informações
de referência para os noticiários da noite. Até
porque na página do FMI tem tudo sobre o Brasil, Argentina
e todos os que andam enclacrados com suas contas externas.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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