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04-05-2001
Web é para toda a vida

Se um alienígena que pousasse no Brasil e, tomando conhecimento da Crise no Senado, decidisse usar os sites de informação na Web para, com base na escrita humana, tentar entender o que estava acontecendo, iria se defrontar com uma enorme dificuldade de buscar detalhes ou informações anteriores.

Mesmo os grandes jornais e suas equipes de jornalismo online - a despeito do colossal volume de informações produzidas - esqueceram uma lição básica do bom jornalismo, que é disponibilizar ao leitor opções de consulta sobre o fato, oferecendo possibilidade de formação de uma opinião mais consistente com mais dados.

Nada conta o trabalho dos sites de informação dos grandes jornais e até dos grandes portais. Mas é que, na emoção da cobertura - que especializa jornalistas no tema -, nenhum deles se preocupou em oferecer uma opção de fácil consulta sobre o histórico da crise.

Claro, houve ações nesse sentido. Alguns usaram o recurso de direcionar a matéria mais nova para que fora publicado anteriormente selecionando o tema por abordagens. Outros pelos personagens. E alguns até criaram links para abrigar o noticiário do dia. Mas sem se preocupar em criar um serviço especial para que, uma vez ancorado nele, o leitor fosse levado até o ultimo texto, arquivo de áudio ou imagem de vídeo.

Web é um espetacular ferramenta para documentar a história. Mas a maior parte dos sites não percebeu isso na crise do Senado e esqueceu de juntar o belíssimo material produzido de forma lógica e de fácil acesso.

Na verdade, foi o velho de bom Yahoo! com seu velho e eficiente Temas Atuais que melhor entendeu isso. No dia seguinte ao estouro da crise, abriu um link e saiu a juntar por data e hora de veiculação tudo que seu software foi capaz de ancorar. No final de abril, tinha pronto para seus leitores nada menos que 24 páginas com 1.200 notícias sobre a crise de ACM, Arruda e Regina Borges.

Dos jornais, só O Globo percebeu que quem está na frente de uma ferramenta espetacular com a Web quer percorrer todos os ângulos da informação e abriu um link de personagens. Das revistas, só a Veja online alinhavou um link bus que podia levar o internauta a percorrer mais paginas.

O resto ficou na mesmice de sempre. Um selo óbvio para chamar o assunto, uma pesquisa online para saber a opinião leitor, um grupo de discussão e vai por aí. Nada criativo e competente para satisfazer o leitor e ser um produto que se possa apresentar a um patrocinador em potencial no futuro.

Perderam oportunidade de oferecer ao leitor um banquete digital sobre a maior cobertura da história da imprensa nos últimos anos. E esta tudo lá - áudio, vídeo, imagens, links e dados. Infelizmente, para quem quiser percorrer digitalmente - seja ele alienígena ou terráqueo - o que se publicou sobre a crise só restará a velha e cansativa opção de busca. Talvez na próxima crise o pessoal da Web faça o que tem que fazer.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas