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04-08-2000
Linux,
o Pingüim vai virar onda?

Pode
ser uma tremenda azaração em cima do que pode acontecer, no futuro,
com a poderosa Microsoft. Mas quem anda peruando sites de tecnologia
de informação e revistas do setor pode observar que está se consolidando
uma tendência de louvação ao Linux.
É interessante
porque a conversa não está caminhando para o destaque das potencialidades
desse sistema operacional de tecnologia aberta, da proposta de uma
coisa democrática, ou do potencial que ele representa para o império
de Bill Gates.
O rumo
da prosa é como ele pode ser usado pelas grandes empresas. Pelo
que ele representa de possibilidades de aplicações dentro da Web.
E de como ele poderá se tornar uma ferramenta de uso geral a custos
baratíssimos. E, como tudo nesse ramo tem que ter uma palavra nova,
já tem gente dizendo que o grande diferencial do Linux será sua
portabilidade.
Portabilidade
seria a capacidade do sistema em ser usado em diversos ambientes
e que esse acesso traria para as empresas, o mesmo impacto que teve
o PC nos anos 80 e, mais recentemente, a Internet, nos anos 90.
O Linux, estimam os especialistas, seria a porta da terceira revolução
tecnológica.
Certo,
mas isso é coisa para se conferir no futuro. O fato é que já tem
gente grande pensando forte em usar Linux, ou melhor, usar Linux
para desenvolver aplicações, criar novos programas e a custos muito
mais baixos do que se paga hoje para usar sistemas corporativos
como Unix, NT, Novell etc. Assim, como já tem empresas como IBM,
Computer Associates, SGI e outras gigantes que já falam abertamente
em desenvolver ou estimular novos produtos, especialmente, os de
uso na Internet.
Bom,
mas o que isso tem a ver com o povo em geral? Olha, ninguém deve
desconhecer que, hoje, o grande problema do Linux é que não tem
tanto programa pronto para ele como manutenção. Na verdade, o Linux,
que nem subsidiária tem no Brasil, não serve o peixe frito, à belle
mouniere ou com molho de camarão, como faz a Microsoft, que é uma
espécie de fast food do mundo da informática. O Linux ensina a pescar.
Isso,
evidentemente, dá trabalho, precisa de gente disposta a adotar o
software, desenvolver programa, montar revenda, assistência técnica
etc. Mas é uma solução aberta. Serve para país pobre abrir, a custo
baixo, o acesso à Internet e a possibilidade de negócios
na Web. Não só para o usuário pessoal, mas para a pequena e a média
empresa brasileira, por exemplo, que foi o que nos sobrou depois
da abertura (aquisição) de nossa economia com a globalização. Abre
possibilidades de gerar emprego, renda e jeito de usar computador
de acordo com nossa cultura.
Vai
dar trabalho? Vai! Vai custar caro? Pode ser! Mas pode ser por onde
o Governo possa democratizar o uso da informação a um custo muito
mais baixo. Porque, no fundo, no fundo, o que as pessoas vão precisar
mesmo é de um processador de texto, uma pequena planilha e um browser
para começar a navegar na Internet. Ou seja: acessar a Web. Porque,
uma vez lá, quem se interessa pelo negócio dispõe de uma tonelada
de programas grátis para crescer. E, se isso for feito a baixo custo,
o Linux terá dado uma grande contribuição aos países em desenvolvimento.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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