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05-12-2000
I.Service ainda é desejo

No país que mais festeja a Internet como veículo de facilidades, de acesso a tecnologias, ganhos de tempo nas tarefas domésticas e de praticidade do mundo digital, a vida real ainda é muito difícil, desorganizada e, até certo ponto, contra-producente entre a espetacular capacidade da ferramenta da Web e os ritos burocráticos e mediocridades da empresa comum disfarçada de moderna na Grande Rede.

Não se fala aqui da desonestidade das empresas que se laçam no mercado do e-commerce sem se preparar com uma boa logística, um moderno call center (essa espetacular invenção do mundo high tech para esconder a fila e o tamanho da indignação do cliente mal atendido) e de uma política de preços honestos que agregue, de fato, no custo final para o cliente, as desnecessárias de uma loja bonita, uma equipe de vendas treinada e acesso fácil.

Não. Falo das empresas de serviços mesmo, que lançam campanhas maravilhosas na mídia, que distribuem através de suas assessorias de imprensa (cada vez mais reduzidas a simples relações públicas para jornalistas) e quando você vai conferir o funcionário do call center esclarece que não é bem assim.

Existem alguns casos curiosos como o de algumas companhias de telefonia celular onde o cliente que usa o débito automático e tem o serviço cortado por falta de pagamento tem que ir ao escritório da empresa para apanhar uma segunda via, só porque na fatura de informação a companhia não agrega um simples boleto bancário. Depois de pagar a conta, tem que esperar 72 horas para o banco informar a empresa sobre o crédito.

Ora, se a companhia quer ter o cliente permanente bastaria que ele informasse que pagou, um número do boleto etc, para que o serviço fosse automaticamente restabelecido. Se o cliente pagar com cheque e for necessária a compensação, a companhia terá perdido cinco dias de faturamento daquele cliente. Mas se você entra na home page da companhia e encontra a possibilidade de imprimir uma nova fatura, de mandar um e-mail dizendo que o pagamento esta lá. Só que não está no ar.

E aquela empresa que oferece um serviço manda uma mala direta espetacular e quando o cliente recebe o técnico para uma avaliação é informado que o equipamento ainda não esta disponível e que será necessário aguardar mais alguns dias.

Ou aquela companhia que manda uma nota para a imprensa dizendo que o serviços são cortesia, um belo dia passa a cobrar e nem te avisa disso. Ou melhor, avisa isso na conta.

O mundo real está cheio de exemplos. E mostra que, por exemplo, empresas que prestam serviços pedem seu e-mail e nunca mandam uma informação por ele de uma nova modificação. Elas poderiam mandar a conta por e-mail, anunciam isso nas suas entrevistas e nunca põem isso na sua página da Web.

Talvez porque em muitas delas as coisas ainda funcionem como no governo. O governador anuncia, o secretário detalha, marca prazo e esquece. Em muitas empresas, o homem da publicidade cria um anúncio espetacular, monta toda uma folheteria, veicula a campanha, mas se esquece que na Web isso tem que funcionar.

O mestre Mauro Sales sempre diz que a pior coisa que pode acontecer a uma empresa é anunciar um produto e não oferecê-lo no tempo certo, no lugar certo e com as especificações certas. O cliente vai, procura uma vez, procura a segunda e não vai mais.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas