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07-07-2000
Basta!
Quero privacidade

O
Brasil está realizando uma belíssima demonstração de civilidade
ao reagir, pacificamente, contra a violência que o cidadão comum
está sujeito no dia-a-dia. Está se organizando, voluntariamente,
para tentar parar a queda do chamado custo da vida humana, ante
o crime e defendendo o simples de direito de ir e vir sem ser agredido,
constrangido, assaltado ou violentado.
Com
o perdão da frase central da campanha, mas bem que o cidadão internauta
poderia aproveitar o "mote" e cantar o verso da defesa do direito
à privacidade da Web.
É,
que nos últimos meses, apesar de em quase todas as páginas existir
um link exaltando a política de privacidade adotada, é cada
vez maior o número do que eu chamo de pequenos deslizes em direção
ao bem de maior valor na Web que é o endereço eletrônico do
cidadão que atende pelo nome de e-mail e pelo qual todos os sites
desejam que ele fique freguês.
Isso
tem levado a que venham se engendrando formas desonestas de tentativa
de atração de audiência e que, em muitos deles, fazem parte da política
de agregação de visitantes. É o caso do site que, deliberadamente,
põe um java que apaga o histórico da navegação e impede que o internauta,
uma vez na página, não consiga voltar às homepages visitadas
anteriormente.
Um
programa que o internauta baixa e ele dispara uma atualização que
modifica parâmetros de sua área de trabalho e insere a marca
de uma empresa ou produto.
Ou
um site que pega o seu e-mail quando você lhe manda uma mensagem
de consulta e o insere num banco de dados que você não pediu e não
tem interesse de estar listado como destinatário das mais
diversas mensagens.
Claro,
isso não é um crise como o de enviar um vírus através
de um e-mail. Não é um crime como utilizar-se de fotos de terceiros
para praticar pornografia ou pedofilia. E não é um crime como difundir
apologia à violência, drogas ou anti-semitismo ou nazismo.
Mas
é uma prática ruim.
As
pessoas podem dizer que toda tentativa de ampliar a audiência é
valida. Afinal, os sites de assuntos especificos não mandam para
o usuário uma mensagem com um link para a página atualizada?
Certo,
mas a diferença é que, nesse caso, você concorda em receber esta
informação privilegiada e autorizou que ele ponha o seu e-mail dentro
de banco de dados.
É a
mesma coisa de você ao responder a um daqueles questionários
de revistas que lhe perguntam até a hora de seu nascimento para
autorizar a distribuição de seus dados para outros veículos. É uma
decisão do usuário. Do cidadão, contribuinte e consumidor.
No
caso desses pequenos deslizes, não. É a tua privacidade que serve
aos chamados pequenos expedientes de aumento de audiência. E isso
não é uma boa prática. Porque viola, ainda que suavemente, seu direito
à privacidade. E isso tem a ver com o que vem por aí em termos
de crescimento de audiência, com a agregação do telefone celular
à Internet.
Na
prática, isso quer dizer que o seu número de telefone pode virar
um novo e-mail. E, se a gente não começar a criar parâmetros,
contra esses pequenos deslizes, o que as empresas chamam de política
de privacidade pode virar letra morta. Ou tão pouco utilizada que,
para saber que existe, será necessário fazer um download.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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