07-10-2000
O país do cartão magnético


Ficou pronta, esta semana, uma diganose do Banco Central sobre o uso dos recursos de informática pela população brasileira nos bancos, mostrando que 90% dos brasileiros, de alguma forma, mantêm uma relação com uma instituição bancária, seja de um simples pagamento de uma conta de energia elétrica até uma conta corrente completa - com direito a uso no Home Banking e à compra de ações na central de investimentos da instituição.

O relatório é oportuno porque mostra que, em menos de uma década, o brasileiro saiu de um cenário em que os bancos represnetavam uma força de trabalho considerável na economia, como massa de trabalhadores, e entrou de cabeça na era digital com números espetaculares, como os revelados esta semana pelo professor da FGV, Marcos Sêmola, da empresa Módulo Security Solutions S.A., que contou, ano passado, 9,3 trilhões de operações bancárias sem a intervenção de nenhum funcionário. Ou seja: 67% do total de transações sem um toque sequer de um mortal.

Tem mais: segundo ele, nada menos que 4,6 bilhões de transações eletrônicas foram feitas pela Web, quando 2,6 bilhões de cheques foram compensados. Ou seja, a galera está cada dia mais usando cartão magnético do Oiapoque ao Chuí.

Mas enquanto algumas pessoas acham que isso tem a ver apenas com o espetacular ferramental dos bancos brasileiros que entram de cabeça no redesenho de suas agências, ampliação de suas salas de auto-atendimento e despacho do cliente para computador, o pessoal de Internet vê nisso uma grande oportunidade de negócio. Muito além da simples idéia de vender micro.

Gente que estuda a Web, acha que sem o ferramental dos bancos já disponível, sem a disponibilidade de linhas fixas da Telemar e da Telefônica e, da queda geral nas taxas de juros, o negócio que interessa a eles o seja: a colocação do cliente na estratégia do home banking - que reduz drasticamente seus custos fixos - não seria possível.

Essa conversa de que os bancos querem ajudar a indústria de micros, que vai colocar o consumidor na Web com prestação de R$ 99,00 e que todo mundo vai poder ver o saldo de conta bancária em casa é papo furado.

Portanto não devemos ter ilusões, banco quer vender (financiar) computador aos seus clientes ou não para reduzir custo de processamento de extrato, compensação de cheque e retirada de gente das agências. Agora se junto com isso vem o hábito de navegar pela Internet é efeito colateral. Que, aliás, o pessoal da Web até agradece.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas