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10-02-2001
vacalouca.com.br
Pois
é: a vaca brasileira foi para o brejo, com filet, maminha,
rabada e tudo. Os canadenses meteram um "porém"
na sua qualidade levantando a suspeita de que ela, também,
poderia está contaminada com essa tal de Encefalopatia Espongifoirme
Bovina, que os incultos científicos chamam de Doença
da Vaca Louca, travando as exportações e criando uma
complicação dos diabos que conseguiu até a
proeza de fazer o Fernando Henrique Cardoso falar grosso e ameaçar
jogar estrume (de vaca) no ventilador.
Bom, isso todo mundo já está sabendo e a Web está
desde o começo do mês despejando uma tempestade de
notícias sobre as idas e vindas da posição
brasileira, que qualquer internauta que se disponha a se fixar no
tema vai ter leitura para horas e horas. Mas sexta-feira a colocação
de um site (www.stimpy.com.br)
esculhambando o Canadá mostrou que a Internet pode ser uma
forma extremamente democrática de qualquer pessoa, empresa,
ONG ou país se servir para defender seus interesses e suas
ideías.
Certamente, nenhum membro do Gabinete do primeiro ministro Jean
Chrétien (http://pm.gc.ca)
andou lendo o que o pessoal fez na Web para dar uma espetacular
demonstração de xenofobia digital, mas isso não
tira o mérito nem a capacidade da Internet de ser uma forma
espetacular de permitir a propagação de informação.
Pode ser infantil, medíocre, irresponsável e ingênua,
mas funciona e mostra que serve a todo tipo de propósito.
Isso é o que vale. Permite ao cidadão ter um espaço
e uma oportunidade de se expressar de uma forma que ele não
teria qualquer chance de praticar nas chamadas mídias formais
(TV, rádio, jornal e outdoor), de se colocar e se fazer ouvir.
O efeito web pode até não ter ajudado a Brasil e Canadá
a resolver suas diferenças comerciais, mas permitiu que milhões
de pessoas tomassem conhecimento da opinião dos brasileiros
e de sua capacidade de se indignar - como certamente em nenhum outro
fórum ou meio de comunicação o País
pôde.
Todo mundo sabe que a reação brasileira e sua colocação
na web não é muito diferente da que a diplomacia faz
em todos os casos. O fato novo dessa questão com o Canadá
é que, pela primeira vez, um pais periferico pôde colocar
livremente sua opinião e sua defesa. Não vai resolver,
não vai mudar os conceitos dos países desenvolvidos,
mas abre condições de que cidadãos, ONGs, empresas
e países possam ter a oportunidade de se mostrar indgnados.
E isso para o cidadão comum faz um bem...
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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