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10-03-2001
Pelas janelas da Web

Os outdoors das avenidas de acesso aos dois principais aeroportos brasileiros, no Rio de Janeiro e em São Paulo, podem ser consideradas um importante termômetro sobre quais empresas estão na moda ou tendo um momento de charme para os consumidores em algum período do ano. Servem para medir quem tem algo novo a dizer, contar as novidades, chamar mesmo a atenção.

Desde o final do ano passado, as empresas cujas referências ao nome começam com "www" não dominam mais esta passarela de ofertas de alguns quilômetros, iluminadas permanentemente, e que dizem a quantas anda nossa economia ou o produto de que mais se fala. Nas tabuletas de quatro por doze metros anunciam-se agora cartões de crédito, indústrias de aparelhos para telefonia celular, indústrias de eletroeletrônicos e... é claro, bancos.

As ponto.com, que durante quase um ano explodiram os índices de utilização das mídias tradicionais e inundaram as capas de jornais e revistas com cenários, perfis de novas cabeças do negócio Web e das movimentações espetaculares de recursos, restringem-se agora a comunicados dissmulados de demissões sumárias com a desculpa ingênua da adequação mercadológica. Ou de cortes brutais em investimentos travestidos de reposicionamento de custos para antecipar metas de lucros nos seus balanços.

Pura leseira. Como se não estivesse claro para o mercado que o negócio Web não é aquilo que um bando (a expressão é essa mesmo, um bando) de espertos espalhou pela mídia vendendo um produto que a Web não tinha como entregar ou que estava longe de ser na vida real. O negócio Web está batendo no fundo do poço e, como toda curva de uma hipérbole, da mesmo forma que desce, sobe.

Vai subir! Vai subir porque agora as pessoas estão começando a ver que Web é ferramenta, não o negócio principal. É uma parte importante de uma cadeia econômica, mas nunca a locomotiva - como muitas pessoas "venderam" para os incautos. Não quer dizer que não tenha enormes perspectivas. Mas para as empresas que vão utilizá-la como um instrumento para melhorar desempenho de seus negócios. Será, também, o negócio de uma parcela da economia que estará funcionando e crescendo junto com os principais agentes produtivos e manufatoradores de bens e serviços reais.

Talvez por isso seja bom que as tabuletas dos outdoors das avendias Ayrton Senna, em São Paulo, e Linha Vermelha, no Rio de Janeiro, não exibam como clientes os serviços das empresas www. Estão lá os anuncios do Amex, do Visa e do Mastercad. Do BankBoston, Citicorp e do Itaú. Da Samsung, LG e Motorola. E da Gradiente, Philips e Ericsson.

Felizmente com o endereço delas na Web. Escrito de forma discreta, mas ao lado da marca mundial, que é o que interessa.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas