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10-11-2000
Web para rádio, TV e jornal 
A
gente fica aqui falando da Internet como uma nova mídia,
como uma coisa de um enorme potencial de negócios, de geração
de novas possibilidades e até contabilizando os insucessos
dos que acham que ganhar dinheiro na Web é coisa para qualquer
um e acaba sem perceber a revolução que a Internet
está fazendo nos meios de comunicação já
existentes, ou como dizem os especialistas nas mídias tradicionais.
Sem que a gente da mídia digital percebesse e capitalizasse
isso como audiência, a Internet virou ferramenta de radio
TV e jornal dando a eles mais celeridade, capacidade de produção
e atualidade que seriam inimagináveis até menos de
meia década.
Outro dia, perto da madrugada, estava ouvindo o rádio quando
o locutor, que antes dependia do jornal do dia para sustentar sua
conversa com ouvintes insones, pilotando seu laptop, desandou a
ler notas da agências, fazer enquetes e comentar assuntos
de economia com uma profundidade que poderia surpreender a qualquer
um economista de plantão.
Ele apenas estava pondo no ar o conteúdo de uma dessas agências
de noticias hoje disponíveis com seu toque pessoal. Sozinho,
ele pôde varar madrugadas e deixar bem informados seus leitores,
do vigilante ao executivo noctívago.
Na TV, o noticiário da noite também tinha um laptop
conectado a uma agência ou um site especial. A apresentadora,
simplesmente dava a atualidade do tempo real a seus ouvintes de
dizendo que as agências estavam dizendo pela Internet as últimas
tendências do mercado financeiro do outro lado do mundo.
E, se a gente olhar ao redor, a corrida em busca da atualidade está
fazendo o jornal não perder para a concorrência e até
se aproveitando dela para se realimentar de fatos atuais também
em tempo real. O batalhão de gente na rua agora trabalha
rigorosamente com as últimas noticias.
Esta semana, uma nota no Computerworld dizia que os portais B2B
estavam minguando e dos 100 que se apresentaram, apenas 10 estavam
ativos. Dez é muito; talvez por país fiquem três
ou quatro.
Porque empresa não quer B2B para empregado ver horóscopo.
Pensa nisso como ferramenta de redução de custo e
aumentar a qualidade do produto final.
Acho que no fundo, o que a Web está fazendo no velho rádio,
na senhora TV e no mestre jornal é reduzir custo com mais
qualidade. Da apresentadora da TV que virou âncora. Do radialista
que virou analista de informação digital e atualizada
em tempo real. E do jornalista que processa tudo isso antes de escrever
seu texto que, a partir de agora, tende a ser cada vez mais analítico
e consistente na mídia impressa.
Por isso, a gente deve observar melhor o que está acontecendo
com os nossos irmãos mais velhos. Eles estão maravilhados
com a capacidade da Web de facilitar sua vida e melhorar seu trabalho
e podem agregar experiência de analise. Formar opinião.
A gente só precisa aprender a cobrar mais caro por isso.
Até para eles entenderem que, a cada dia, dependem mais da
agilidade do irmão caçula.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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