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10-12-2000
Será que o WAP serve? 
Talvez
daqui a algum tempo, quando o mercado da Web tomar contornos mais
definidos e ser um negócio com linhas mais claras sobre rentabilidade
de operação, essas observações soem
como o erro que os números hoje disponíveis induziam.
Mas a cada dia tenho a sensação de que a tecnologia
WAP (Wireless Application Protocol )nunca vai ser o que todo mundo
diz e vislumbra.
Esta semana saiu mais uma dessas avaliações de instituições
do setor que dizem, de um lado, que do ponto de vista publicitário
todos os executivos do setor ouvidos afirmam estarem dispostos a
investir na mídia do WAP. E que, em cinco anos, o volume
de celulares será em 2005 igual (17 milhões de unidades
em operação) ao mesmo previsto pessoas plugadas na
Web.
Repito, tomara que isso não se confirme. Mas é difícil
amarrar desejo e sentimento com perspectiva real de mercado.
Outro dia ouvi um sujeito dizer que o mercado de notebooks iria
disparar no dia que as empresas decidissem usar um teclado retrátil
que fosse adaptado a ergometria das mãos do ser humano. Ele
dizia que para milhares de pessoas, o teclado do notebook é
um inibidor de criação intelectual, porque o sujeito
tem que colar os braços na barriga e apertar os dedos para
se adequar ao teclado. E que no dia que o notebook ficasse barato
esta exigência ergométrica iria determinar a mudança
no modelo. Ele tem uma certa razão.
No caso do celular, e da WAP, acho que passada a febre da euforia
e da novidade, o consumidor vai repensar a decisão da compra.
E dizer à indústria e aos provedores na Web que isso
não é suficiente.
Quem tem um modelo NEO, por exemplo, já sabe que é
difícil ou exige-se, no mínimo, um comando mental
a mais para pressionar um número naquele tecladinho cada
vez mais menor.
Mas duas coisas chamaram a atenção do mercado e que,
para mim, são fatores de restrição ou põem
um limitador do negócio. A pressa da indústria em
lançar um tecladinho para acoplar-se ao celular WAP. E o
conceito e contido naquele comercial do sujeito que atende um telefone
e o interlocutor dana-se a fazer comercial fonado.
Um observador mais atento pode perceber que o teclado do celular
é porque o produto não se basta. E que a publicidade
no WAP pode soar como aquelas palavras estranhas no seu ouvido.
Porque a telinha tende a ser um extensão do ouvido.
Isso tudo vai desaguar numa coisa só. A decisão é
do cliente de incorporar ou não o hábito do WAP no
celular e, junto com ela, a publicidade. Se ele não sentir
necessidade dessa tecnologia, a Internet no celular nunca vai virar
veículo de massa e aí tudo que se prevê hoje
de mercado e possíveis negócios vira só desejo.
O aparelho será bonitinho, contendo uma espetacular tecnologia
que apenas alguns tarados na Web vão usar. Sinceramente,
eu desejo errar quanto a isso. Mas não tenho certeza disso.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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