11-08-2000
Os brutos na Web

Lembra aquela frase do pessoal da Federação Nacional dos Caminhoneiros "Sem caminhão, o Brasil pára"? Pois bem, ela já tem uma versão high-tech, ou melhor, na Nova Economia, alguma coisa assim como "Sem caminhão, venda de carro pela Web, nem pensar".

O nó dessa confusão, que hoje trava os negócios de venda de carros pela Internet, atende pelo nome de frete sobre os quais montadoras e transportadoras ainda não chegaram a um acordo e que, por isso mesmo, ainda não fez o negócio venda de automóveis on-line acontecer.

Explica-se: com um país do tamanho do Brasil, as montadoras entenderam que não adianta muito ter site bonito, informações atualizadas, imagens espetaculares e janelas de fechamento de negócio se o item frete não está resolvido. Porque ele acaba com o diferencial de custo menor.

Isso fez com que as montadoras começassem uma grande conversa sobre frete unico que, em tese, seria a possibilidade de um cliente comprar um carro e a montadora entregar onde ele quiser com um preço padrão.

Só que, para isso, o setor precisaria de duas coisas: Centros de Distribuição, de forma que a montadora concentrasse estoques numa região e, a partir deles, fazer a entrega ao freguês reduzindo a distância do carro sobre caminhão. E, um acordo sobre como não detonar o faturamento das transportadoras.

E é aí que a coisa complica. O que para as montadoras é um negócio novo que pode cortar custos e abrir as perspectivas de um Preço Brasil, para as transportadoras é a perpspectiva de um aumento de faturamento, pois, com o novo mapa industrial automobilístico, espalhou fábrica por tudo quanto é estado.

E aí como falar em preço único de um carro fabricado em Gravataí, pela General Motors no Rio Grande do Sul, entregue em Natal, na região Nordeste. se na tabela de hoje o frete custaria próximo de R$ 2 mil? As montadoras sonham com um novo sistema de distribuição usando trem, navio e cegonha. Mas isso é coisa que os dinossauros da estrada nem querem falar.

Como conversa com cegonheiro ou é como eles desejam ou eles queimam caminhão cheio de carro novo mesmo, a ordem nas montadoras é conversar. Até para ver se alguém tem alguma idéia. Por que, sem isso, a idéia de compra de carro pela Internet ainda vai continuar como apenas uma possibilidade que, além dos problemas de tributação, vai depender de quem paga o frete.

Afinal, para o caminhoneiro, esse negócio de vendas online, nova economia e operação de venda virtual pode ser muito bom. Desde que o frete, ou melhor, o faturamento dele seja real.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas