PreviewFirewallPreviewFirewall PreviewPreview

14-09-2001
Jornalismo, backup e negócios

Um respeitado jornalista nordestino (Ronildo Maia Leite, dono de três Prêmios Esso) disse certa vez, numa palestra a estudantes de comunicação, que os jornais só se afirmam nas grandes coberturas.

Entendia ele que, nos grande fatos, os donos de jornais devem esquecer os custos e privilegiar o leitor com um colossal volume de informações de forma que ele sinta e passe a reverberar isso para seus convivas, consolidando o produto.

Nunca pensei que quase duas década depois viria a lhe dar razão não só em relação aos jornais impressos, mas à Internet que, naquela época, sequer era algo imaginável. O ataque aos Estados Unidos vai gerar um espetacular impacto positivo na área de segurança como o da necessidade do armazenamento de dados fora de suas instalações. E negativo como o que já se estima acontecer com a indústria de PCs, que poderia ter um declínio de até 5% este ano repercutindo em Taiwan, que é um dos maiores produtores mundiais de PCs e de componentes.

Mas já se sabe que a Web representou um avanço espetacular no acesso a informações consistentes ao publico ainda além da superficialidade do rádio, do visual da TV, e antes do jornal que só chegou no dia seguinte, não muito mais completo do que o internauta já tinha visto na Web.

O grande diferencial da cobertura do ataque aos Estados Unidos é que, dessa vez o publico, pôde saber e conferir com a produção de vários lugares do mundo o que aquilo representava. Claro, leu um monte de bobagens. Mas como ouviu um monte de bobagens no rádio e viu na TV. Mas, na Web, ele pôde fazer o seu noticiário.

Escolher o menu de informações que lhe ajudasse a formar seu conceito próprio do que estava vendo e ouvindo. E pôde até interagir quando pode mandar mensagens, informes e até contar o que viu, como vários sites fizeram, colocando a opinião de pessoas em grupos de discussão.

Esse é o diferencial da Web. O banco de dados para conferir está ali. Disponível e ao toque do clique do mouse. Era como se, estupefato com o que via, ele pudesse escolher o caminho de sua informação.

A Web, já se sabe, bateu recordes de audiência. Os portais seguiram o caminho já clássico de áreas especiais com uma lista de tudo o que publicaram, tornado-se um ágil instrumento de pesquisa. E revelando que esse é o caminho que eles vão seguir. E esse parece que será o caminho de que como eles vão se comportar no futuro. Grandes espaços virtuais para que o leitor se realize como cliente de informação. Em tempo real e formatada ao gosto do cliente.

A Web também pagou um custo. Não se deve esquecer que o portal do WTC foi literalmente implodido. Não existe e terá que ser refeito, provando a necessidade de se ter um arquivo fora do local da base legal. E também consolidando o que já era regra nos mercados de negócios: um arquivo extra igual num ponto distante. Claro que ninguém imaginava uma destruição por ataque em avião suicida, mas o conceito está consolidado.

Desde terça-feira já se sabe que backup não é redundância; é exigência. É um negócio de futuro e o ataque provou que tem que está disponível. E, pensando bem..., será que a Web está preparada para garantir seu dados fora de suas bases de portais?

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas