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15-06-2001
Do homebanking à fila do caixa
No
País que tenta tornar-se moderno e inserido no conceito de
usuário da Web, há uma distância abissal entre
a páginas das instituições financeiras na Internet
e o atendimento na boca do caixa. Um parece desconhecer o outro.
E esse nem sabe da existem dele.
Isso
não é bom para o futuro da Web num setor que precisa
de massa e volume para se consolidar. Mesmo que os números
das operações na Web venham crescendo a taxas acima
de 100% ao ano, com as pessoas cada vez mais deixando de ir ao banco
e pagando praticamente todo os seus boletos no micro, alguns deles
até equipados com leitor de código de barras, a legião
dos sem-micro ainda é muito grande. Colossal se comparada
aos que estão no cyberespaço.
O problema
é que o fosso entre as duas partes está se aprofundando.
Num processo natural e comum nos manuais de administração
moderno, a ordem é reduzir despesas e aumentar produtividade
hora/homem do funcionário. Grosso modo, o empregado de banco
na ponta do sistema está sendo medido como o check-out do
supemercado. Divide-se a quantidade de registradoras pela receita.
No banco, divide-se o volume arrecadado pelo numero de máquinas
autenticadoras. Isso pode ser bom do ponto de vista estatísticos.
Mas é ruim para quem deseja colocar o cliente na Web via
banco.
Está
acontecendo um fenômeno curioso no mercado de títulos
brasileiros. Os bancos estão escondendo suas unidades de
recebimento do público em geral. Ao mesmo tempo em que a
sua publicidade só vende a interface da Web. Esse choque
é hoje tão violente que o cliente está cada
dia mais irritado com a idéia de ter que ir num banco pagar
uma conta. Assusta-lhe, como consumidor, a idéia de entrar
numa agência e ser tratado como um boy quando a publicidade
lhe vende tratamento Vip.
Dificilmente,
ele vai escolher para operar na Web um banco que lhe trata com desprezo
na agência bancária. E tem muito diretor de marketing
entusiasmado com suas homepage perdendo cliente em potencial porque
não criou sistemas de acesso fácil ao banco tradicional.
Quem se der ao trabalho de observar o crescimento dos novos usuários
da Web no setor bancário vai ver que ganhou quem não
esqueceu o jeito clássico de fazer negócio. Olhando
o cliente no olho e conversando com ele. Perdeu, ou não tem
grandes resultados, os que acharam que cliente é só
um número.
Por
isso agora está todo mundo falando em atrair para Web, o
cliente comum. Talvez seja interessante saber o que ele pensa daquele
caixa tradicional que ele precisou enfrentar quando não pagou
uma conta no vencimento e precisou calcular os juros.
A Web só tem atração porque trata personalizadamente
o cidadão comum. Dá a ele o status de Classe A, mesmo
sendo o mais humildes dos usuários. Dos sistemas de segurança
ao módulos de acesso na Web, todo mundo é igual Cliente
Top. Mas será que isso acontece fora da página da
Internet para quem não tem micro?
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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