15-09-2000
O que substitui o banner?

Em tempos do fim do E-monney runaway, com o investidor cada vez mais ressabiado com a conversa furada dos novos empreendedores do mercado de Tecnologia da Informação na Web e, onde o faturamento mirrado das empresas de estruturas fora da realidade (inclusive a virtual) já não consegue pagar o cafezinho da galera que senta o dia todo na frente de um micro tentando descobrir nova soluções e possibilidades, está chegando um discurso de que apenas com a receita de publicidade as empresas na nova economia da Internet - especialmente os provedores de conteúdo - não se sustentam.

É conversa fiada e da grande. Porque, se a Web não se firmar como mídia e, portanto, com receitas de publicidade, ela já era. Ou, então, é uma tremenda burrice a gente chamá-la de Quarta Mídia.

O problema é que, como toda mídia nova, tem um tempo que nem o sujeito que a produz sabe quanto vale a exposição, nem o que compra sabe o que ela é e o outro cara da publicidade simplesmente não sabe como juntar as duas pontas porque ele também não sabe para onde vai o negócio.

O danado é que, para botar empresa de conteúdo na Internet brasileira, um bando de gente de conversa boa convenceu a outro bando de gente que não sabe para o negócio vai, a botar muito dinheiro sem qualquer preocupação de racionalização de custo e de carinho pelo dinheiro do investidor tratando-o como um imbecil que está deslumbrado com a Internet e que ainda se emociona com as possibilidades do Outlook em mandar mensagens. Esse pessoal vai se ferrar ou conseguir enganar algum outro desavisado mais na frente, mas não fica no ramo.

Porque é preciso acabar com essa bobagem de dizer que o futuro dos portais na Web está na cobrança de comissão sobre vendas de serviços que seus canais possam viabilizar. Droga! Se a Web depender de receita de comissão de uma empresa que anuncie num de seus canais, morre antes do final do milênio.

A Web, é bom entender-se, é uma mídia e as empresas podem se utilizar dela como uma espetacular ferramenta de exposição e nela fazer negócio. Todos os grande portais e lideres de audiência na Internet vivem e estão com isso. Como, aliás, já percebeu isso o pessoal do B2B. É isso que vai gerar tráfego, redução de custos, agregação de clientes e todas as vantagens da Rede.

E é nesse negócio que as empresas sérias da Web vão faturar também, enfiando nesse canais elementos de utilidade. Inclusive no B2C como um diferencial. Mas sem deixar de ter presente que o negócio delas é permitir exposição. Mostrar o produto que pode ser só imagem ou soluções. É bobagem achar que portal vai ser Central de Distribuição de loja virtual. Não é esse o negócio dele. Assim como não é o da TV, do jornal, do rádio, do outdoor ou da faixa amarrada num porte da esquina.

Por isso é bom a moçada que vendeu ao investidor a idéia de que num portal novo ele poderia ganhar dinheiro com comissão de vendas e dizer que não é bem assim. Vai ganhar dinheiro quem tiver produto bom que chamar a atenção do cliente e que leve ele até a loja virtual, a loja mais próxima ou à central de atendimento. Mas servindo como ponte e não como destino.

Não é esse o negócio dos provedores de conteúdo na Web. Pode até agregar renda, mas nunca será a atividade fim. Agora pensando nisso alguém já pensou como tratar o velho e eficiente banner?

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas